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Rio Grande do Sul Por Veja correspondentes Política, negócios, urbanismo e outros temas e personagens gaúchos. Por Paula Sperb, de Porto Alegre

Agentes brasileiros foram aos EUA pesquisar combate às fake news

Agência Brasileira de Inteligência (Abin), subordinada ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), traça política de segurança cibernética

Por Paula Sperb - Atualizado em 12 jun 2018, 19h34 - Publicado em 12 jun 2018, 17h12

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Westphalen Etchegoyen, afirmou nesta terça-feira 12, em Porto Alegre, que uma equipe Agência Brasileira de Inteligência (Abin) esteve em diversos países para pesquisar o combate a boatos na internet, as chamadas fake news, durante as eleições deste ano no Brasil.

Entre os países visitados pelos agentes brasileiros estão os Estados Unidos, onde a divulgação de fake news é investigada por ter relação com a eleição do presidente republicano Donald Trump sob a influência de países como a Rússia.

“Existem diversas formas [de combate às fake news] que estão sendo feitas. As mais importantes são também as mais simples, como informar os partidos, alertar. Recentemente [agentes da Abin] viajaram para estudar o que aconteceu na França, Alemanha e Estados Unidos. Uma equipe da Abin esteve nesses países aprendendo o que aconteceu lá para ver como [os países] reagiram, para ver o que deu certo e o que melhoraria no assunto [no Brasil]”, disse Etchegoyen a jornalistas antes de sua palestra na Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA) – o ministro é gaúcho.

O ministro afirmou que também esteve nesses países, em uma viagem diferente, com o mesmo objetivo dos agentes. “As fake news são um problema sério, mas são um pedacinho do problema. Imaginem o quanto robôs, perfis falsos, postagens falsas e atuações clandestinas na rede podem influenciar uma votação. Nos Estados Unidos, assisti a um relato de um caso no oeste norte-americano. Criaram um perfil de uma senhora de seus 70 anos. O perfil postava receitas, crochê, fotos do neto, passeios no teatro, na ópera. Durante oito meses, mais ou menos, ela foi juntando gente no perfil e elogiava a candidata Hillary Clinton [democrata]. Ela passou a existir virtualmente. A seis meses da eleição presidencial, ela passou a discordar da Hillary, a achar que as ideias do Donald Trump [republicano] eram mais claras. Ela foi modificando sua posição e conduzindo seus seguidores. Isso [perfil falso] não é fake news, as fake news são só a pontinha do iceberg”, explicou Etchegoyen.

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Sobre a atuação da Abin, subordinada ao GSI, o ministro disse que, diferentemente do que algumas pessoas podem pensar, “não é um reduto de espiões, de 007”, mas é uma “estrutura de agentes que produzem conhecimento”. A Abin tem escritório em dezoito países e deve abrir mais três neste ano.

O GSI, por sua vez, é ligado diretamente à Presidência da República. “Hoje pela manhã repassamos [ao presidente Michel Temer] informações sobre o encontro de Trump e o presidente norte-coreano, é um assunto que interessa ao nosso país”, exemplificou o general.

Outra atribuição do GSI é a criação de uma política nacional de segurança cibernética. O documento deve ser entregue a Temer nos próximos dias, conforme Etchegoyen. De acordo com o ministro, a função da política é garantir que a internet seja democrática, segura e que garanta a liberdade de escolha nas eleições – daí a importância estratégica do combate aos boatos.

Etchegoyen também defendeu a atuação da Abin e do GSI durante a greve dos caminhoneiros que paralisou o país. O GSI coordenou os órgãos de segurança durante os protestos. Quanto às críticas de que o governo não teria previsto a paralisação, o ministro afirmou que é “muita ingenuidade pensar que um sistema de Inteligência vai tratar publicamente do que faz”.

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