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Rio Grande do Sul Por Veja correspondentes Política, negócios, urbanismo e outros temas e personagens gaúchos. Por Paula Sperb, de Porto Alegre

Abertura de impeachment contra Marchezan é rejeitada

Vereadores contrários à abertura do processo de impeachment alegaram que denúncia era inconsistente

Por Paula Sperb - 18 Oct 2017, 17h51

Com o plenário lotado de manifestantes contrários ao prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr. (PSDB), os vereadores da capital gaúcha rejeitaram a abertura de impeachment contra o tucano. Apenas sete vereadores votaram a favor da abertura do impeachment e 28 foram contrários. A votação ocorreu na tarde desta quarta-feira e a denúncia contra Marchezan foi protocolada no Legislativo no dia 11 de outubro. Na ocasião, procurado por VEJA, o prefeito não comentou o assunto.

A denúncia é de autoria de dois taxistas que alegam que a prefeitura não estava cumprindo a lei de fiscalização do transporte intermediado por aplicativos como Uber e Cabify em Porto Alegre. A lei que regulava os aplicativos determinava vistorias e cobranças de impostos, como ocorre com os taxistas. A lei acabou sendo derrubada liminarmente no mesmo dia em que o pedido de impeachment foi protocolado.

A maior parte dos vereadores contrários à abertura do processo de impeachment argumentou que a denúncia era inconsistente. Mesmo votando contra, o vereador Felipe Camozzatto (Novo) criticou Marchezan dizendo que o prefeito é “intransigente”, tem “dificuldade de ouvir e dialogar” e “tem optado pelo conflito ao invés de investir energia para o bem da cidade”. O partido de Camozzatto, o Novo, foi o autor da ação na Justiça que conseguiu derrubar a regulamentação de aplicativos como Uber na capital gaúcha.

Os vereadores de oposição aproveitaram a votação para pedir mais transparência nas contas da prefeitura, que está parcelando há meses os salários dos funcionários. O Ministério Público de Contas (MPC) chegou a pedir uma auditoria no caixa da prefeitura.

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“Queremos uma auditoria porque o governo aumenta a crise para poder privatizar”, disse a vereadora Fernanda Melchiona (PSOL), que votou pela abertura do processo de impeachment. “Tem o elemento de simbolismo político”, disse o vereador Roberto Robaina (PSOL).

O presidente da Câmara de Vereadores, Cássio Trogildo (PTB), que não tem direito a voto, declarou na sessão que se pudesse decidir, seria contra a abertura do impeachment. Na opinião do vereador Idenir Cecchim (PMDB) a votação de uma denúncia inconsistente “atrapalhou um dia de votação dos projetos”.

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