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Ricardo Rangel

Vivendo perigosamente

Bolsonaro gosta tanto de brigar que esquece até a reeleição

Por Ricardo Rangel 26 nov 2020, 20h26

Eduardo Bolsonaro acusou a China de espionagem. A China respondeu alertando para o risco de “consequências negativas” para a relação Brasil-China — uma ameaça clara de sanções comerciais contra o Brasil. Um presidente responsável enquadraria o filho, o removeria da Comissão de Relações Exteriores, e pediria desculpas formais à China.

Mas não Bolsonaro. Nosso presidente preferiu dobrar a aposta e apoiar o pimpolho petulante. Criticou a China por se pronunciar pelas redes sociais (ridículo, já que Bolsonaro não sai do Twitter), por se pronunciar sobre “as relações do Brasil com outros países” (ridículo, já que Bolsonaro dá palpite sobre outros países o tempo todo) e qualificou o tom da declaração chinesa de “ofensivo e desrespeitoso” (ridículo, já que ofensivo e desrespeitoso foi o pimpolho).

A mente de Jair Bolsonaro opera de maneira curiosa. Como se sabe, Bolsonaro só pensa em se reeleger. Para se reeleger, precisa dos votos do Centro-Oeste, seu principal curral eleitoral. E o Centro-Oeste depende das exportações de carne e soja para a China.

Para se reeleger, Bolsonaro precisa também manter o auxílio emergencial. Para manter o auxílio, precisa de dinheiro. Para conseguir dinheiro, precisa que o Brasil volte a crescer. Para crescer, o Brasil precisa exportar mais, não menos, e a China é nosso principal parceiro comercial.

Se quer se reeleger, Bolsonaro tem dois excelentes motivos para não brigar com a China. No entanto, é exatamente isso o que faz. E a troco de nada.

Jair Bolsonaro é um homem que gosta de viver perigosamente.

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