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Ricardo Rangel

Trump é Bolsonaro amanhã

Os auxiliares dos presidentes também terão destinos similares

Por Ricardo Rangel 15 jan 2021, 15h50

É uma lei do universo: quando o tirano está no chão, forma-se fila para lhe chutar a cara. É assim desde que o mundo é mundo, não haveria de ser diferente com Donald Trump: a fila para chutar a cara do presidente americano está tão longa que parece que vão começar a distribuir senha.

A próxima etapa — quando já se tiver chutado o cachorro morto o bastante — será o julgamento dos cúmplices. Os sicofantas que auxiliaram Trump em seus abusos e afrontas se tornarão radiativos. Párias.

O assombroso isolamento que Trump está experimentando encerra uma lição para Bolsonaro e seus aliados. Os dois presidentes são parecidos e seus destinos também o serão; e com seus aliados se dará o mesmo.

Bolsonaro deveria tentar ser um presidente mais normal e menos odiado para escapar da sina de seu ídolo. O que, claro, não ocorrerá. Bolsonaro não age como age porque quer, mas porque é sua natureza. Sem falar que tem dificuldade de aprender e acredita que será bem-sucedido onde o presidente americano falhou.

Além disso, a verdade é que Bolsonaro não tem alternativa: como Macbeth, ele já avançou tanto em seu “rio de sangue” que seguir em frente é provavelmente melhor do que recuar.

Seus aliados, no entanto, deveriam entender que a janela de oportunidade para se afastar de Bolsonaro não vai ficar aberta para sempre. Quando a maré virar — e, mais cedo ou mais tarde, ela vai virar —, a janela se fechará rapidamente. Quem ainda estiver próximo de Bolsonaro a partir de então pagará um preço proibitivamente alto.

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