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Ricardo Rangel

Rubem Novaes, o liberal tabajara

Como liberal, o ex-presidente do BB é ótimo patrimonialista

Por Ricardo Rangel - 28 jul 2020, 14h11

Rubem Novaes demitiu-se do Banco do Brasil reclamando de Brasília, da corrupção, do TCU e da falta de perspectivas para a privatização do banco.

Bolsonaro, um iliberal de manual, passou a vida defendendo Estado grande e combatendo as privatizações. Eleito, deixou absolutamente claro que não permitiria a privatização do Banco do Brasil em nenhuma hipótese. O que levou Rubem Novaes a acreditar em algo que até as emas do Alvorada sabem ser impossível desafia a imaginação.

Novaes permitiu a ingerência do governo nas decisões sobre o destino da verba de publicidade do banco, um claro abuso de poder por parte do acionista controlador, anátema para qualquer liberal digno do nome. Alertado de que a verba estava indo para sites de fake news, recuou, mas, pressionado por Carlos Bolsonaro, recuou do recuo, e voltou a destinar verba para a rede de desinformação bolsonarista. Impossibilitado de privatizar o banco, Novaes privatizou a gestão da publicidade do banco para o filho do presidente, que nem sequer tem relação formal com a empresa.

O Tribunal de Contas da União alertou para a ingerência espúria do governo, para a falta de austeridade nos gastos com publicidade, e para a falta de critérios na escolha de veículos, deixando claro que princípios liberais basilares — que, não por acaso, estão na Constituição — como impessoalidade, transparência e moralidade foram desrespeitados. Novaes passeou a chamar o tribunal de “usina do terror”.

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Rubem Novaes se demitiu do BB, mas não vai ficar no sereno: Paulo Guedes inventou para o velho amigo o cargo de seu “conselheiro pessoal”. Como Novaes “não tolera” Brasília, a sinecura vai ser no Rio de Janeiro.

Rubem Novaes é o patrimonialista que se declara liberal e reclama da corrupção.

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