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Ricardo Rangel

Que vergonha, AMB!

A Associação Médica Brasileira critica a politização de um medicamento ao mesmo tempo em que o politiza

Por Ricardo Rangel - Atualizado em 30 jul 2020, 18h48 - Publicado em 21 jul 2020, 17h04

A hidroxicloroquina não está, nem nunca esteve, proibida no Brasil. Não há nenhum projeto de lei tramitando no Congresso brasileiro com a intenção de proibir a hidroxicloroquina.

A proibição da hidroxicloroquina não está, nem jamais esteve, em discussão no debate público brasileiro, e não há registro de ninguém que defenda ou tenha defendido a proibição da hidroxicloroquina no Brasil.

Ainda que houvesse alguém a favor da proibição da hidroxicloroquina, tal ideia jamais prosperaria, já que ela é o principal, senão o único, tratamento para doenças graves como malária e lúpus.

O único lugar onde a hipótese da proibição da cloroquina existe é no imaginário bolsonarista. Ele faz parte do arsenal de fake-news usado na politização do medicamento.

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No entanto, a diretoria da Associação Médica Brasileira (AMB) divulgou uma nota (link abaixo) em que critica a “politização do debate”, “os que parecem torcer pelo coronavírus” e “os que pregam a proibição da prescrição da hidroxicloroquina”.

Ao adotar os (falsos) argumentos do bolsonarismo e corroborar a existência de um fantasioso esforço para proibir uma substância, a diretoria da AMB demonstra que se informa pela máquina de propaganda bolsonarista e adere de maneira entusiasmada à politização que finge combater.

É surpreendente, e preocupante, que a diretoria de uma associação de médicos — categoria profissional cujo mister é baseado na ciência — renuncie à ciência para aderir à retórica política mirabolante do governo mais anticiência que o Brasil já conheceu.

Isso no próprio mês em que se celebra o Dia Nacional da Ciência.

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Que vergonha, AMB.

A íntegra da nota está aqui: https://amb.org.br/noticias/hidroxicloroquina-amb-defende-autonomia-do-medico/

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