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Ricardo Rangel

O que faz Paulo Guedes no governo?

O ministro não controla Bolsonaro, não acalma os mercados, não ajuda na negociação com o Congresso

Por Ricardo Rangel Atualizado em 21 out 2021, 22h53 - Publicado em 21 out 2021, 16h51

Dada a tragédia social brasileira, ninguém discute que o auxílio emergencial precisa ser estendido. O que se discute é: com que dinheiro?

Considerando-se a gravidade da crise, um governo sensato reveria despesas menos prioritárias (como os 30 bi das emendas de relator). Mas Jair Bolsonaro não quer cortar em lugar nenhum: afinal, a razão de ser do auxílio não é social, é eleitoreira, e cortar despesa não dá voto a ninguém.

A solução para os sábios do Planalto é explodir o teto de gastos. Ninguém em sã consciência deveria aceitar isso, a começar pelo ministro da Economia, mas o ministro “o-senhor-manda-eu-obedeço”, o topa-tudo Paulo Guedes, topou. Depois de anos criticando os ministros “fura-teto”, Guedes mandou às favas todos os escrúpulos de consciência e uniu-se a eles.

Já o mercado (é claro) não topou: a bolsa despencou, o dólar e os juros de longo prazo dispararam, e consta que pelo menos dois membros da equipe econômica ameaçaram pedir o boné. O deus-nos-acuda foi tal que o governo recuou e cancelou o anúncio do novo auxílio.

Mas não recuou da decisão de furar o teto. E Guedes está por aí, repetindo que se o Congresso autorizar, não é quebra de teto (mentira), que é apenas uma revisão da meta, estipulada para 2026 (mentira), que o problema só existe porque a reforma do imposto de renda não foi aprovada (mentira).

A pergunta que resta é: para que serve Paulo Guedes?

Para conduzir uma política econômica, não é, pois tal coisa não existe no Brasil. Para impedir os arroubos de Bolsonaro, está na cara que não é. Para tranquilizar os mercados, está provado que não é. Para manter a equipe econômica firme e coesa, também não parece ser. Para ajudar na negociação com o Congresso, também não é.

Quanto tempo dura um ministro que ninguém sabe para que serve?

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