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Ricardo Rangel

O pior cenário imaginável

O sistema eleitoral americano é indefensável

Por Ricardo Rangel Atualizado em 6 nov 2020, 12h12 - Publicado em 6 nov 2020, 11h30

No momento em que escrevo, Biden assumiu a dianteira na Georgia está na frente por muito pouco no Arizona e em Nevada, e continua crescendo na Pensilvânia. Tudo indica que vencerá, mas a situação não está definida em nenhum dos quatro estados.

O que aconteceria — ou acontecerá, já que é um cenário perfeitamente factível — se Biden vencesse na Georgia, e Trump ganhasse nos outros três (e também no Alasca, onde sua vitória é inevitável)?

Biden teria 269 e Trump, 254. Seria preciso esperar a Carolina do Norte, que só recomeça a contar votos na semana que vem.

Ou seja, mais uma semana de indecisão.

Agora suponha que, daqui a uns 10 dias, Trump vença na Carolina do Norte. Fica 269 a 269. Quem escolhe o presidente em caso de empate é a House of Representatives (a Câmara dos Deputados).

Mas não a Câmara atual: a nova, que está sendo eleita agora. E que só toma posse em janeiro. E tem até 4 de março do ano que vem para escolher o presidente. Ainda que os deputados façam uma reunião extraordinária para resolver o assunto, é certo que demoraria mais algumas semanas.

A Câmara que está sendo eleita agora terá maioria democrata, no entanto… a votação não é pessoal, mas em bloco: 1 voto para cada estado. E, no cenário que estamos imaginando, 27 estados teriam maioria republicana. E a maioria dos estados — contra a maioria dos deputados — escolheria Trump.

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Daria uma briga dos diabos, e o caso iria para a Supremo Corte com certeza. Mais algumas semanas de suspense.

A partir de janeiro, enquanto não se decide quem é o presidente, quem fica como interino é o presidente da Câmara, que provavelmente continuará a ser o mesmo de hoje: a democrata Nancy Pelosi, inimiga figadal de Trump.

O Supremo tem 3 democratas e 6 conservadores, incluindo Amy Barrett, que acaba de ser nomeada por Trump de maneira altamente discutível. É praticamente certo que o Supremo nomearia Trump (até porque é o que a lei diz), e os democratas com certeza gritariam marmelada, um presidente escolhido contra a maioria do povo e a maioria da Câmara.

Trump passaria quatro anos governando sob a sombra da ilegitimidade, seria barrado em tudo pela Câmara, pondo em risco a governabilidade. Com insuperável ódio e ressentimento entre os cidadãos. Um desafio à democracia só comparável à Guerra Civil, há um século e meio.

Resta torcer para Biden fechar a fatura agora.

E tem gente que acha que os EUA não precisam mudar seu sistema eleitoral.

 

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