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Ricardo Rangel

O mundo civilizado e os australopitecos

Do exterior, fica ainda mais claro o quanto o Brasil se tornou sinônimo do atraso e do vexame

Por Ricardo Rangel Atualizado em 28 set 2021, 19h16 - Publicado em 27 set 2021, 20h13

A diferença já começa no embarque do avião. Ninguém entra sem mostrar certificado de vacina, todo mundo usa máscara, e a companhia aérea informa que substitui todo o ar a cada 90 segundos.

Na capital francesa, mais de 70% dos habitantes já tomaram o ciclo vacinal completo. Nas ruas, há tendas para de teste de Covid (gratuito para franceses, 29 euros para estrangeiros) por toda parte. E ampla oferta de vacina.

Nos transportes públicos, todos usam máscara. O comprovante de vacinação (o brasileiro é válido) é rigorosamente exigido em todos os estabelecimentos abertos ao público, e, com exceção dos restaurantes, a máscara é obrigatória em todos os lugares.

A consciência da existência da Covid é permanente, mas não é motivo para tensão, raiva ou briga, e o passaporte sanitário e as máscaras representam apenas um pequeno inconveniente — nas ruas, onde o ambiente é aberto e o contágio é mínimo, a maioria nem usa a máscara, e ninguém se incomoda.

Como em todos os países, existem negacionistas, que fazem manifestações isoladas contra o passaporte sanitário, mas ninguém toma conhecimento. E, evidentemente, não existem autoridades fazendo campanha contra a vacina ou contra medidas sanitárias nem muito menos defendendo tratamentos médicos fictícios.

Dessa distância e nesse contexto, ver nosso presidente, que se recusa a se vacinar, comendo pizza em pé na rua em Nova York e fazendo discurso negacionista na ONU, chanceler fazendo arminha e o ministro da Saúde erguendo o dedo para os manifestantes é ainda mais assustador. E escancara como os brasileiros são vistos pelos habitantes dos países civilizados.

Para o resto do mundo, nós somos uns australopitecos.

(E aí você pousa no Brasil, entra no táxi e ouve o motorista fazer discurso negacionista contra a vacina. Dá vontade de voltar para a Europa no mesmo avião.)

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