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Ricardo Rangel

O ato de ACM Neto é um desastre para (quase) todo mundo

A atitude do presidente do DEM só interessa a Bolsonaro. E a Lula.

Por Ricardo Rangel Atualizado em 10 fev 2021, 11h02 - Publicado em 8 fev 2021, 12h15

Não está claro o que ACM Neto pretendia quando anunciou que não descarta apoiar Bolsonaro em 2022.

Angariar as simpatias do presidente para a eleição para o governo da Bahia não explica. Como o rival de ACM Neto virá do PT, o apoio de Bolsonaro no segundo turno será quase automático, basta não hostilizar o presidente. Não precisava fazer chamego.

Se o objetivo era forçar a saída de Rodrigo Maia e tomar o controle do partido, ACM Neto errou a mão. Sua entrevista foi desastrosa não só para Rodrigo, mas para todo mundo.

É um desastre para o DEM, que empurra para fora, junto com Rodrigo, os membros do partido fazem oposição firme a Bolsonaro. O partido sairá da crise menor, esvaziado de representatividade, e, se vier a participar da aliança antibolsonarista, será visto como pouco confiável e terá papel menos relevante.

É um desastre para quem enxergava no DEM um parceiro importante para derrotar Bolsonaro, e isso inclui Doria, Huck, o PSDB e até Ciro Gomes. Naturalmente, é um desastre para os eleitores que querem se livrar de Bolsonaro.

Tende a ser um desastre para o próprio presidente do DEM: seu papel como líder fica prejudicado pela inépcia que demonstrou. E o candidato a governador ACM Neto deve perder votos entre os liberais, que não gostam do PT, mas também não gostam de Bolsonaro.

O furdunço que ACM Neto provocou só interessa a Bolsonaro e aos bolsonaristas. E a Lula, claro.

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