Clique e assine a partir de 9,90/mês
Ricardo Rangel

Nós, os idiotas

Bolsonaro e seus militares não têm nossa inteligência em alta conta

Por Ricardo Rangel - Atualizado em 13 Maio 2020, 17h39 - Publicado em 13 Maio 2020, 12h25

Bolsonaro e seus militares querem nos fazer crer que, na reunião do dia 22 de abril, o presidente teria ameaçado demitir o “chefe” e o “diretor” não da Polícia Federal, mas de sua segurança pessoal. Ou seja, Bolsonaro e seus militares querem nos fazer crer que:

— Existe um chefe da segurança pessoal do presidente em cada unidade da federação.

— Bolsonaro não sabe que o chefe da sua segurança pessoal é o coordenador de Segurança Presidencial, major Loureiro, que é lotado em Brasília, do qual ninguém nunca ouviu falar e nunca foi pivô de coisa nenhuma.

— Bolsonaro não sabe que sua segurança pessoal não tem diretor, e que o chefe do major Loureiro é o secretario de Segurança e Coordenação Presidencial, do GSI, general Luiz Fernando Baganha, do qual ninguém nunca ouviu falar e cujo emprego nunca esteve em risco.

— Ao ameaçar “demitir o ministro”, Bolsonaro se referia ao general Augusto Heleno, do GSI, que deve ter sangue de barata, pois, ao ouvir uma descompostura em regra na frente de 30 pessoas, não deu um muxoxo, e continuou sendo o bolsonarista-raiz que sempre foi.

— O presidente passou a descompostura olhando para Sergio Moro porque se enganou.

Continua após a publicidade

— A interferência na Polícia Federal em agosto passado, quando Bolsonaro exigiu, e conseguiu, a substituição do superintendente da PF no Rio, e afirmou, em público, que se “não conseguisse trocar o superintendente no Rio, trocaria o diretor-geral da PF, e se não conseguisse trocar o diretor, trocaria o ministro”, não tem a menor importância e não tem nada a ver com o episódio de agora.

— Dias depois da reunião, Bolsonaro demitiu, pessoalmente, o diretor da PF, Maurício Valeixo, contra a vontade do próprio e à revelia do ministro Moro, por algum motivo perfeitamente legítimo que, por acaso, ninguém sabe qual é.

— Sergio Moro se demitiu à toa, porque é trouxa, já que a descompostura não era para ele (mas para o general Heleno), e a demissão de Valeixo não foi uma interferência indevida.

— Bolsonaro ter tentado nomear Alexandre Ramagem, justamente o nome que Moro rebarbou, providência que o STF considerou tão suspeita que a revogou, não tinha nada de mais.

— A primeira providência do novo diretor da PF ter sido substituir o superintendente do Rio não tem nada de mais.

Bolsonaro e seus militares acham que somos todos idiotas.

O fato de Bolsonaro ainda ser presidente demonstra que eles têm razão.

Continua após a publicidade
Publicidade