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Ricardo Rangel

Lamentável e inacreditável

Os militares de Bolsonaro estão jogando na lama 33 anos de esforços

Por Ricardo Rangel - 8 jun 2020, 15h32

O que está acontecendo no Ministério da Saúde é lamentável. E inacreditável. Uma vergonha para o governo, para o país, para as Forças Armadas.

É uma vergonha particular para as Forças Armadas. Os generais palacianos apoiaram a demissão de um bom ministro. Indicaram um general para o ministério. O general-ministro (interino definitivo não existe), com o beneplácito dos generais palacianos, substituiu técnicos e profissionais de saúde por militares sem qualificação adequada. O general-ministro, com o beneplácito dos generais palacianos, mudou, contra a recomendação técnica, o protocolo de um medicamento de alto risco.

O general-ministro, com o beneplácito dos generais palacianos, mudou o horário de divulgação dos números da Covid-19, com propósitos midiáticos. O general-ministro, com o beneplácito dos generais palacianos, mudou uma rotina que antes funcionava bem com o aparente objetivo de ocultar cadáveres.

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No decorrer dos 33 anos que se passaram entre o fim da ditadura militar (que mentiu, perseguiu, censurou, cassou, exilou, torturou e matou) e o início do governo Bolsonaro, os militares se mantiveram longe da política e dentro de suas funções constitucionais, se assumiram como órgão de Estado, e respeitaram a ordem democrática. Com essa conduta, conseguiram algo impressionante: recuperaram a imagem da corporação, que muitos consideravam irrecuperável.

Até recentemente, as Forças Armadas estavam entre as instituições mais respeitadas e prestigiadas da República.

Em poucos meses, os militares de Bolsonaro estão conseguindo algo ainda mais impressionante: estão jogando a imagem da corporação de volta na lama.

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