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Ricardo Rangel

Já era hora de alguém dizer “não”

Como os ministros aceitam tudo, coube à turma do segundo escalão dizer "basta"

Por Ricardo Rangel Atualizado em 22 out 2021, 09h14 - Publicado em 21 out 2021, 19h07

Uma das coisas mais impressionantes em Jair Bolsonaro sempre foi sua assombrosa capacidade de fazer as maiores barbaridades e maluquices e todo mundo abaixar a cabeça.

O sangue de barata não se restringe a oportunistas como Pedro Guimarães ou debilóides como Eduardo Pazuello. Não. Abrange pessoas experientes, maduras, em tese respeitáveis, com a cabeça no lugar.

Oficiais generais de quatro estrelas; um economista respeitado e bem sucedido como Paulo Guedes; um cardiologista renomado, ex-presidente da SBC, como Marcelo Queiroga; o chanceler Carlos Alberto França; a ministra Tereza Cristina; e tantos outros, todos lustrando os coturnos do capitão.

Com a exceção, que confirma a regra, do ex-ministro Mandetta, até agora ninguém tinha ousado dizer “não” a Jair Bolsonaro.

Pois o presidente acaba de ouvir um “não” rotundo, sonoro, definitivo. E não foi de nenhum ministro. Foi da garotada do segundo escalão.

Pediram demissão, em protesto contra a irresponsabilidade fiscal, o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, a secretária especial adjunta do Tesouro e Orçamento, Gildenora Dantas, o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rafael Araujo, todos do ministério da Economia.

O secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, José Mauro Coelho, aproveitou a deixa para ir embora também. Depois de uma longa lista de atos irresponsáveis em relação aos combustíveis, o auxílio que Bolsonaro prometeu aos caminhoneiros foi a gota de óleo que faltava para Coelho pedir o boné.

Já era hora de alguém mostrar um mínimo de fibra e coragem.

Parabéns, rapazes e rapariga.

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