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Ricardo Rangel

Festa de arromba

A coerência na incoerência

Por Ricardo Rangel - Atualizado em 30 jul 2020, 18h50 - Publicado em 5 jul 2020, 15h58

Bolsonaro foi com o filho deputado e quatro ministros à comemoração do dia da Independência dos Estados Unidos na residência do embaixador americano no Brasil.

Curioso o chefe de Estado do Brasil frequentar festa de comemoração da data nacional de outro país, quando menos porque fere o protocolo, já que é impossível fazer a mesma deferência a todos os outros países.

Mais curioso porque três dos acompanhante do presidente são militares, cuja visão nacionalista é francamente contrária ao alinhamento automático (implícito na presença no evento) a qualquer país estrangeiro.

Ainda mais curioso porque a Independência americana marcou a criação da primeira democracia liberal da história, e o governo Bolsonaro é o governo mais antiliberal que já houve no Brasil em tempos democráticos.

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Ainda mais curioso porque Bolsonaro e seus acompanhantes são todos defensores da ditadura militar, o período mais antiliberal da história do Brasil.

E ainda mais curioso porque muitos dos apoiadores mais entusiasmados de Bolsonaro são monarquistas, e a Declaração de Independência foi um ato de sedição e traição à Coroa inglesa, suficiente para levar seus signatários à forca.

A presença de Bolsonaro e seus sequazes no evento seria contraditória não fossem a própria contradição, o puxassaquismo e a ignorância (em particular da história) três das marcas registradas do governo Bolsonaro.

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