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Ricardo Rangel

Eduardo Leite dá tiro no pé

Não será com esse nível de habilidade política que o tucano gaúcho chegará ao Planalto

Por Ricardo Rangel Atualizado em 19 out 2021, 16h43 - Publicado em 18 out 2021, 16h05

João Doria ameaçou não comparecer ao debate com Eduardo Leite, pôs em dúvida a lisura das prévias do PSDB e, vergonha das vergonhas, chegou a cogitar defender cédula em papel.

Todo mundo se lembrou de Bolsonaro, que foge de debate e, quando sente o cheiro da derrota, reclama das regras do jogo — mas ninguém disse nada.

Com exceção de Eduardo Leite.

“Negar participação em debate e lançar suspeitas sobre forma de votação é coisa do bolsonarismo. Eu espero que não volte o BolsoDoria”, disse o governador do Rio Grande do Sul.

A frase de Leite é injusta: em que pese o oportunismo de Doria ao apoiar Bolsonaro em 2018, não existe hoje nenhum brasileiro (nem mesmo Lula) que vista tanto o figurino anti-Bolsonaro quanto o governador de São Paulo.

A frase é também um tanto cínica, já que Eduardo Leite também apoiou Bolsonaro em 2018 e, ainda hoje, tem auxiliares simpatizantes do presidente.

Mas, acima de tudo, a frase é de uma assombrosa, chocante, inacreditável inabilidade política.

Prévia não é eleição para presidente: é apenas o início da corrida eleitoral. Para ser presidente, Leite terá que derrotar Doria, e, em seguida, conquistar o apoio do rival derrotado, sem o qual Leite dificilmente vencerá a eleição no ano que vem.

Não é com ataques gratuitos e desleais como o de agora que Leite criará o ambiente necessário para a reconciliação posterior.

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