Clique e assine a partir de 8,90/mês
Ricardo Rangel

E por falar em ordens absurdas…

Há uma diferença importante entre generais brasileiros e americanos

Por Ricardo Rangel - Atualizado em 6 jun 2020, 14h52 - Publicado em 6 jun 2020, 14h17

“Ô Pazuello, faz o seguinte. Muda o protocolo da cloroquina para ser usada no começo do tratamento, talkey?”

“Mas, presidente, a cloroquina é um medicamento de alto risco, e não há indício de que ela funcione com Covid. Usá-la de forma precoce vai contra a recomendação da OMS, da Opas e do Conselho Federal de Medicina, nunca vou conseguir um médico que assine a resolução comigo. Sem falar que posso até ser processado.”

“Eu sou o presidente e comandante-em-chefe das Forças Armadas! É uma ordem!”

“Presidente, como militar, o senhor sabe que, dentro da cadeia de comando, não posso cumprir ordem absurda. Isso que o senhor quer, só dá pra fazer com ordem judicial. O senhor não consegue um mandado?”

“Humpf”

(…)

“Ô Pazuello, faz o seguinte. Atrasa o horário da divulgação do número de mortos lá pra dez da noite, talkey?”

Continua após a publicidade

“Mas, presidente, por que isso?”

“Porque isso daí vai atrapalhar o Jornal Nacional da Globolixo.”

“Presidente, isso vai atrapalhar é o combate à doença. Não posso fazer isso.”

“Eu sou o presidente e chefe supremo das Forças Armadas! É uma ordem!”

“Presidente, o senhor, como militar, sabe que, dentro da cadeia de comando, não posso cumprir ordem absurda. Isso que o senhor quer, só dá pra fazer com ordem judicial. O senhor não consegue um mandado?”

“Humpf.”

Os diálogos acima, naturalmente, não ocorreram. Infelizmente, os generais brasileiros são muito diferentes de seus pares americanos, que não se incomodam se dizer “não” ao presidente quando ele lhes dá ordens absurdas.

Continua após a publicidade
Publicidade