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Ricardo Rangel

E pensar que faltam 81 dias de CPI. Ou mais.

Queiroga, como seus antecessores, deixou claro que Bolsonaro impede uma gestão técnica da Saúde

Por Ricardo Rangel Atualizado em 6 Maio 2021, 15h01 - Publicado em 6 Maio 2021, 14h59

Mandetta sabe tudo, lembra de tudo, explica tudo. Teich sabe pouco, se lembra de menos, não se compromete com nada. Mas ambos deixaram claro que Bolsonaro impede uma gestão técnica e científica da Saúde.

Queiroga não sabe rigorosamente nada, não se lembra de rigorosamente nada, não se compromete com rigorosamente nada, e foge das perguntas dos senadores como o diabo da cruz (se a CPI fosse um filme americano, o juiz o admoestaria de que, se continuasse a tergiversar, poderia ser preso por desacato).

Mas Queiroga não conseguiu escapar de reconhecer que o uso de máscaras e o isolamento social são importantes no combate ao contágio, que prefeitos e governadores têm o direito de decretar medidas restritivas, que a cloroquina pode provocar parada cardíaca, que a “estratégia” da imunidade de rebanho (isto é, exposição em massa ao vírus) pode aumentar o número de óbitos. Enfim, mesmo contra a vontade, assumiu uma posição diametralmente oposta à do presidente da República.

Em apenas três dias de CPI, já ficou oficialmente estabelecido o que todo mundo estava cansado de saber: o presidente Bolsonaro contraria as recomendações da ciência e sua conduta temerária é responsável por um aumento da gravidade da crise sanitária.

Mas ainda faltam 81 dias.

Supondo-se que a CPI não seja prorrogada. O que é improvável.

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