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Ricardo Rangel

Bolsonaro e o PL: ou perde ou perde

O presidente tem que escolher o que é pior: romper com o PL ou fazer as pazes

Por Ricardo Rangel Atualizado em 16 nov 2021, 13h24 - Publicado em 16 nov 2021, 13h20

Conforme esperado, Bolsonaro exige o controle do partido (e do dinheiro). Conforme esperado, Valdemar Costa Neto recusa-se e a entregar.

Conforme esperado, Bolsonaro, ao ser contrariado, xingou Valdemar. Conforme esperado, Valdemar xingou de volta.

Só o que é inesperado é que, a esta altura, alguém esperasse que seria diferente. Já vimos esse filme com Luciano Bivar e seu PSL: Bolsonaro sempre quer o controle do partido, e nenhum dono de partido é louco de dar. No fim, dá briga.

Mesmo assim, Bolsonaro apostou que ia conseguir enrolar uma raposa velha como Valdemar, e Valdemar apostou que ia enrolar um autoritário incorrigível e cabeça dura como Bolsonaro.

Como seria de se esperar, ambos perderam.

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Romper com Bolsonaro é um problema sério para Valdemar: seu partido perderá cargos importantes e ele próprio sofrerá sério desgaste pessoal por ter apostado em vão em uma parceria que muitos em seu partido não queriam.

Mas o problema de Bolsonaro tende a ser maior. Com ou sem rompimento.

Se romper, cria em Valdemar um inimigo importante, demonstra (mais uma vez) ao Centrão que não é de confiança, estimula o apoio a Lula e periga acabar em um partido nanico sem dinheiro ou tempo na televisão.

Se recuar e mantiver o acordo, fica sem o controle do partido ou do caixa, demonstra fraqueza, açula a fome do Centrão e mantém o flanco aberto para Moro bater em sua tolerância com a corrupção.

É a famosa situação perde-perde.

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