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Ricardo Rangel

Bolsonaro, André Brandão e seu momento Moro-Ilona

Brandão pode ficar com o emprego ou com a respeitabilidade, mas não com ambos.

Por Ricardo Rangel Atualizado em 24 fev 2021, 10h57 - Publicado em 15 jan 2021, 13h02

André Brandão, o presidente do Banco do Brasil cuja demissão Bolsonaro decidiu (e depois decidiu reconsiderar) está vivendo seu momento Moro-Ilona.

É uma espécie de rito de passagem no governo Bolsonaro: mais cedo ou mais tarde (em geral, mais cedo), o presidente humilha o auxiliar de maneira pública e brutal. Se o sujeito resiste, está rua; se se submete, está desmoralizado e nunca mais se levanta.

Quem inaugurou o ritual foi Sergio Moro, ao aceitar desnomear Ilona Szabó apenas dois meses depois da posse. A partir daí, nunca mais se levantou: foi humilhado dezenas de vezes até a queda inevitável. Aconteceu com virtualmente todos os auxiliares de Bolsonaro; com alguns, como Paulo Guedes, muitas e muitas vezes.

Brandão pode ficar com o emprego ou com a dignidade, mas não com ambos.

Dependendo de como agir nas próximas horas, corre o risco de não ficar com nenhum dos dois.

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