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Ricardo Rangel

A lucrativa besteira de Paulo Guedes

Os Pandora Papers revelaram que a má condução da economia rendeu à pessoa física do ministro quase 15 milhões

Por Ricardo Rangel Atualizado em 4 out 2021, 19h15 - Publicado em 4 out 2021, 19h13

Desde que declarado à Receita Federal, não há nada de errado ou ilegal em alguém ter dinheiro no exterior.

A não ser, evidentemente, que o tal alguém ocupe um cargo que lhe permita criar políticas capazes de influenciar a rentabilidade do tal dinheiro, motivo pelo qual a prática é proibida pelo Código de Conduta da Alta Administração.

Conforme se soube pelo vazamento dos Pandora Papers, o ministro da Economia Paulo Guedes detém uma aplicação de 9,5 milhões de dólares em uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas (BVI).

Quando Guedes assumiu o cargo de ministro da Economia, o dólar estava a 3,85. No ano passado, quando o dólar bateu 4,65, Guedes afirmou que a cotação só chegaria a 5 reais se “fizesse muita besteira”. Como se sabe, se fez muita besteira, e o dólar está em 5,42.

As muitas besteiras cometidas pelo ministro e pelo governo que o emprega renderam à pessoa física de Paulo Guedes a besteirinha de quase 15 milhões de reais.

Não é besteira, não.

Em tempo. O fundo de Guedes se chama “Dreadnoughts”, que significa couraçado, um navio de guerra blindado com uma couraça de aço; pela etimologia, seria algo ou alguém que nada teme. Em qualquer das acepções, o nome é adequado.

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