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Ricardo Rangel

A Covid-19 e o processo da perda

A aceitação ainda vai demorar

Por Ricardo Rangel - 12 Jun 2020, 19h56

De acordo com o modelo da Dra. Elizabeth Kübler-Ross, o processo da perda passa por cinco estágios: negação, raiva, negociação, depressão, e, finalmente, aceitação.

Negação. A pandemia não vai chegar aqui. É só uma gripezinha. Mata pouco. Aqui vai ser diferente porque somos um país tropical. Aqui vai ser diferente porque nossa média etária é mais baixa. Não dá para comparar com os países europeus porque o Brasil é um país muito grande, com muitos habitantes. Não está tão ruim. O indicador que interessa é o número de casos para cada 100 mil habitantes. A cloroquina cura. Nós já chegamos o pico, vai começar a cair.

Raiva. A China enganou o mundo, a China precisa pagar por isso. A OMS, que acreditou na China e foi incompetente, errou muito, é preciso destituir a diretoria da OMS. A imprensa só dá má notícia, só fala de corpo e cova, não dá destaque às boas notícias, que são muitas. O Imperial College é alarmista. A culpa é do Ministério da Saúde, que não libera a cloroquina. Os governadores estão identificando como Covid mortes por outras causas para inflar o número de mortes.

Negociação. Não é preciso isolar todo mundo, basta isolar os idosos e os doentes. Vamos isolar por duas semanas, depois a gente abre. A Suécia optou por um caminho diferente e deu certo. Se há leitos disponíveis, dá para abrir. Desde que se use usar máscara, dá pra sair. Eu vou dar um pulo no churrasco do vizinho, mas é uma vez só, é rapidinho, eu vou manter distância das pessoas.

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Depressão. Ocorre em silêncio, é difícil de ser vista. Mas pouca gente chegou neste estágio. A esmagadora maioria dos brasileiros oscila entre negação, raiva e negociação.

Aceitação. Pelo jeito, a aceitação ainda vai demorar — exceto para certas autoridades governamentais, que estão mais preocupadas em ocultar as mortes do que em evitá-las.

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