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ReVEJA Por Blog Vale a pena ler de novo o que saiu nas páginas de VEJA em quase cinco décadas de história

Shimon Peres: “O dia é dos visionários. A noite, dos sonhadores”

Em três entrevistas a VEJA, confira 23 frases do ex-premiê israelense

Por Daniel Jelin Atualizado em 30 jul 2020, 21h44 - Publicado em 28 set 2016, 03h02
VEJA de 16 de dezembro de 1987
VEJA de 16 de dezembro de 1987

Shimon Peres, morto nesta quarta-feira, aos 93 anos, participou de quase todos os governos desde a fundação de Israel, em 1948, chegando a primeiro-ministro três vezes – nas décadas de 1970, 1980 e 1990. Ao longo de mais de 50 anos na política, Peres erigiu a imagem de conciliador e moderado – o que acabaria lhe valendo o Nobel da Paz de 1994, que dividiu com o ex-primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin e o líder palestino Yasser Arafat. Além de político experimentado, era também um orador empolgante e bom frasista, como demonstrou em entrevistas a VEJA.

Em 1987, então chanceler de Israel, Peres falou a VEJA às vésperas de sua visita ao Brasil, a primeira em muitos anos de um representante israelense de alto nível. ‘Missão quebra-gelo’ era o título da entrevista. Confira seis trechos da entrevista (e clique aqui para ler a íntegra):

“Israel está acostumado com ameaças”

“Como cidadão israelense, eu não quero ver me país transformado numa ilha de democracia e progresso num oceano de reação, pobreza e belicosidade”

“Hoje em dia os países podem perder guerras sem nem mesmo fazê-las. Eles as perdem, simplesmente, ao preparar-se para elas”

“Nós nunca esperamos que ninguém nos defenda. Nós mesmos sabemos nos defender”

“Hoje, Israel é um país onde as crianças brincam na língua dos profetas”

“Eu não quero que meu povo seja senhor de outros povos. Seria um erro moral e também um erro político”

VEJA de 20 de fevereiro de 1991
VEJA de 20 de fevereiro de 1991

Nos estertores da Guerra do Golfo, Peres falou com exclusividade a VEJA, em entrevista publicada nas páginas amarelas de 20 de fevereiro de 1991. Confira abaixo sete momentos da conversa (e clique aqui para ler a íntegra):

“A OLP é o maior problema dos palestinos, é o obstáculo para a paz com Israel. Não é uma entidade séria. Promete e não cumpre”

“Apenas a força militar não é suficiente para frear as ameaças à segurança de Israel”

“O futuro de Israel não está na faixa de Gaza, mas no Oriente Médio como um todo, em sua convivência com os vizinhos”

“Ao acenarem na direção de Saddam Hussein, os palestinos erraram – e muito. Saddam perderá a guerra, isso é evidente, e o povo palestino também será listado entre os derrotados”

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“Os tiranos devem ser liquidados”

“Com ou sem intifada, precisamos resolver o problema palestino de forma política”

“Não há alternativa (à paz com os palestinos)”

VEJA de 4 de julho de 2001
VEJA de 4 de julho de 2001

Dez anos depois, Peres voltou às páginas amarelas na condição de ministro das Relações Exteriores de Israel, a voz moderada do governo do linha-dura Ariel Sharon. Confira dez trechos da entrevista (e clique aqui para ler a íntegra):

“Israel sempre foi um drama. É mais um drama do que um país”

“O problema é que a direita ocupou terras em excesso de nossos vizinhos, criando um mapa impossível de ser mantido na prática. Já a esquerda, para agradar à maioria, fez concessões demais”

“Ainda acho a paz possível”

“O vai-e-vem rápido do noticiário da televisão não ajuda a entender situações complexas como a do Oriente Médio”

“Não gosto da neutralidade, ela é uma forma de escape. Temos de fazer escolhas. E eu fiz a minha”

“O dia é dos visionários. A noite, dos sonhadores”

“Vejo soluções nas formas de coexistência entre os dois povos, mas não necessariamente coabitando no mesmo vilarejo”

“Da mesma forma que é capaz de grandes decisões, Arafat toma decisões erradas”

“Grande parte do Oriente Médio continua desconectada do resto do mundo, vivendo no passado. São lugares com ódios, nacionalismo exagerado e subdesenvolvimento econômico.”

“Quem teme a morte nunca aproveita a vida”

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