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Reforma da Previdência: o que Lula ensinou em 2003 (e o que o Brasil aprendeu em 2005)

Em 2003, o petista obteve sua primeira vitória no Congresso, com apoio de tucanos e pefelistas – e, soube-se depois, parlamentares comprados no mensalão...

Se pretende de fato atualizar o regime de aposentadorias e pensões do país, Michel Temer não pode ignorar o exemplo de Luiz Inácio Lula da Silva. A reforma da Previdência de 2003 foi a primeira grande vitória do petista na Presidência. Para aprová-la, o petista teve de dobrar dura resistência dentro do próprio partido, nos sindicatos e movimentos sociais. O texto final só passou no Congresso com o apoio, pasme, de boa parte do PSDB e PFL (hoje DEM) – e, como se descobriu no escândalo que estourou em 2005, de parlamentares comprados no mensalão…

VEJA de 13 de agosto de 2003: A grande vitória de Lula
VEJA de 13 de agosto de 2003: Protesto e tentativa de invasão do Congresso

A reforma de 2003 mirou essencialmente distorções do setor público: taxou servidores inativos, fixou idade mínima para a aposentadoria e estabeleceu teto para o benefício. Lula teve de enfrentar protestos violentos e greve de servidores. No dia da votação, houve tentativa de invasão do Congresso e confronto com a polícia. A franja mais radical do PT não se dobrou ao Planalto. Nem o Planalto a ela. Parlamentares rebeldes acabariam expulsos do partido, com aval de Lula, para depois lançar o PSOL.

VEJA aplaudiu a “grande vitória de Lula”: “A aprovação da reforma da Previdência recoloca o Brasil nos trilhos”, foi a chamada de capa. “Dissipam-se as dúvidas restantes sobre as convicções do governo de Luiz Inácio Lula da Silva para persistir no fortalecimento institucional que marcou a administração anterior”, registrava a Carta ao Leitor daquela edição. “Pareceu fragilidade o fato de o governo ter contado com votos de deputados do PSDB e do PFL para fazer passar o texto da reforma da Previdência no plenário da Câmara. Ao contrário, foi um sintoma de que o mundo político brasileiro começa a ganhar juízo, o que, é sempre bom lembrar, o partido governista, o PT, nunca teve na oposição.” Reportagem na mesma edição observava: “A vitória de Lula não é de esquerda nem de direita. Foi um triunfo do país.”

Em VEJA de 20 de agosto de 2003: A primeira entrevista de Lula
Em VEJA de 20 de agosto de 2003: A primeira entrevista de Lula

Na semana seguinte, VEJA trazia a primeira entrevista de Lula presidente. Por mais de duas horas o petista falou de “MST, radicais, juros, crescimento econômico, confiança dos investidores, FHC, mudanças no ministério, criminalidade, reformas, a vida no Palácio da Alvorada, dieta…”. Confira abaixo trechos da entrevista:

O senhor e o governo estão enfrentando o fogo amigo, que é a reação dos radicais, seus antigos companheiros de viagem. O senhor esperava que os radicais fossem assim tão radicais? Eu pensava que as pessoas ligadas ao nosso projeto deveriam assumir a responsabilidade de ser governo. Mas percebi que elas escolheram outro caminho. Que o sigam. A opção delas é legítima e o povo julgará quem está certo.

Soube-se que o senhor ficou especialmente decepcionado com a senadora Heloísa Helena… Não fiquei chateado. Quando eu comecei minha vida política, aprendi que tem determinado tipo de gente que é melhor ficar contra você do que a favor. Em 1979, o Celso Furtado me disse uma coisa que permeou minha vida até agora. Ele disse: “Lula, não se preocupe com o que os ultra-esquerdistas falam. Porque, no fundo, eles são um alerta do caminho que você não deve seguir. Mas, ao mesmo tempo, não permitem que você vá muito para a direita”. No fundo, eles te ajudam a continuar no caminho do meio.

Trabalhar com amigos facilita a tarefa de governar ou às vezes atrapalha? Isso é uma coisa que me dá certa tranqüilidade. O núcleo do governo no Palácio do Planalto é um núcleo histórico meu: é o Luiz Gushiken, é o Luiz Dulci, é o Zé Dirceu, é o Palocci.

Que tipo de crítica o irrita? Aprendi que presidente não tem o direito de ficar irritado. Aos 57 anos, eu já apanhei tudo o que tinha de apanhar. Já gastei minha capacidade de ficar irritado.

Foi só no escândalo do mensalão que se descobriu o esquema costurado para garantir apoio de partidos da base aliada: farta distribuição de propina. Os pagamentos rastreados na investigação se avolumavam à época de votações decisivas, a exemplo da reforma da Previdência. Com base na condenação dos mensaleiros, o PSOL chegou a pedir, sem sucesso, a anulação da reforma contra a qual seus fundadores se insurgiram em 2003.

Em VEJA de 13 de agosto de 2003: A grande vitória de Lula
VEJA de 13 de agosto de 2003

Leia em VEJA de 13 de agosto de 2003: Uma semana histórica

Leia em VEJA de 13 de agosto de 2003: A grande vitória de Lula

Leia em VEJA de 20 de agosto de 2003: A primeira entrevista de Lula

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  1. Comentado por:

    Moritz

    Lula violinista ?! (na foto). Não sabia que ele era chegado à música clássica…

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  2. Comentado por:

    Claudio Kaoru Kaneoya

    Ao que parece os temas difíceis só são aprovados no Congresso daquele jeitinho brasileiro…Pior é que parece que sempre será assim nesta terra !

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  3. Comentado por:

    Elecy

    A propósito…a foto do Lula com o violino na mão não podia ser mais ilustrativa…fake, fake, fake!

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  4. Comentado por:

    Felipe

    É verdade. E desde então os servidores públicos federais foram equiparados com os da iniciativa privada, e além de terem 11% de desconto mesmo depois de aposentados agora só recebem até o teto do INSS. Isso para a esmagadora maioria que trabalha e carrega o governo nas costas. As “altas castas” continuam com seus privilégios.

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  5. Comentado por:

    Paulo Job Brenneisen

    Hô falastrão este processo se chamou MENSALÃO e em meu entender USURPOU DIREITOS DOS TRABALHADORES DE FORMA DOLOSA, MANCHANDO A NATUREZA REPUBLICANA DA CÂMARA DE deputados.

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  6. Comentado por:

    JM49

    Políticos não legislam em prol da sociedade, legislam em prol do próprio benefício.
    Quaisquer que seja o governo, tem que ceder em algo, cargos especiais, propinas, etc.
    Temer para fazer suas reformas previdenciária e trabalhista, irá fazer o mesmo.
    Aguardemos.

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  7. Infelizmente é sempre as mesmas coisas. Sai governo e entra governo e no final a conta vem sempre para os trabalhadores pagar.

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