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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Voando com Rose Marie Muraro

Rose Marie Muraro é tudo aquilo que Marilena Chaui gostaria de ser, mas tem vergonha de confessar. Esta senhora escreveu um artigo na página 3 da Folha desta terça que é uma das coisas mais chocantes que li nos últimos tempos. Não pela qualidade da estupidez — sim, há ignomínias notavelmente bem escritas. Não é […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 23h14 - Publicado em 12 set 2006, 09h51

Rose Marie Muraro é tudo aquilo que Marilena Chaui gostaria de ser, mas tem vergonha de confessar. Esta senhora escreveu um artigo na página 3 da Folha desta terça que é uma das coisas mais chocantes que li nos últimos tempos. Não pela qualidade da estupidez — sim, há ignomínias notavelmente bem escritas. Não é o caso. Aos 75, ela ainda não aprendeu a manejar a inculta e bela. Pode esquecer. Falo é de seu desassombro. Eu nunca tinha lido, em letra impressa, a justificação do roubo, do esbulho institucional, da mentira. Aprendo lendo dona Rose Marie que isso tudo é culpa do capitalismo. Sabem essas coisas que nos chocam — tomar dinheiro público, por exemplo? É traço de classe, moral de oprimido, que nos foi incutida pela classe dominante. A vagabundice intelectual chega a tal nível, que, ao tentar demonstrar como funciona o sistema “deles”, dos burgueses, ela recorre a uma frase cínica de “um amigo banqueiro”. Oh! Mas por que essa lídima representante do povo é amiga de banqueiros cínicos? Será que eles dão a ele uns trocos para tocar a sua editora e, assim, poder fazer livros que pregam a rebelião dos oprimidos? Os jornais que a teoria mocréia de Rose Marie classifica de “burgueses” gostam da pluralidade. Mas entendo que até para isso há limites. O mocreísmo teórico tem de usar um Spinoza mais em cima, um Lefort mais embaixo, um Merleay-Ponty de ladinho… Não pode sair assim, na louca. No momento mais iluminado do seu artigo, escreve: “A boa novidade no Brasil é que essas maiorias elegeram um presidente oriundo da classe dominada, de quem não se esperava que transgredisse a lei da honestidade e da moralidade. E quando ele se viu obrigado a jogar o jogo da classe dominante para continuar no poder, houve uma grita a partir da classe média, sinceramente honesta, contra a corrupção e a fraude que esse mesmo presidente antes condenava. E os pobres, que sabem desde o nascimento que são expropriados de quase tudo, crêem, também sinceramente, que, já que são sempre roubados pelos dominantes, pelo menos darão o seu voto a quem reparte com eles alguma fatia desse roubo.” O pensamento de Rose Marie Muraro precisa de uma vassoura. Não para varrer a casa, que isso não é coisa de feminista. Mas para sair voando. Santo Cristo! Pela primeira vez nos últimos, sei lá, 25 anos, dormi à noite e acordei com o raiar do dia. E dou de cara com isso? Clique aqui para ter acesso ao caldeirão de Rose Marie Muraro
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