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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Violência em SC – Planalto e imprensa, felizmente, não dispensam ao estado o tratamento criminoso dispensado a São Paulo. É que se trata de um governo amigo…

A onda de violência que atinge o estado de Santa Catarina é, em muitos aspectos, bem mais grave do que aquela que colheu São Paulo no fim do ano passado. Por quê? São mais numerosas as ações que podem e devem ser chamadas, sem qualquer exagero, de terroristas — ainda tratarei desse aspecto em particular. […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 31 jul 2020, 06h51 - Publicado em 15 fev 2013, 18h44

A onda de violência que atinge o estado de Santa Catarina é, em muitos aspectos, bem mais grave do que aquela que colheu São Paulo no fim do ano passado. Por quê? São mais numerosas as ações que podem e devem ser chamadas, sem qualquer exagero, de terroristas — ainda tratarei desse aspecto em particular. Se seus promotores têm ou não uma pauta política, isso é o de menos. O fato é que buscam causar pânico e colocam em risco a vida de dezenas de pessoas. Gravações indicam que o Primeiro Grupo Catarinense (PGC), o partido do crime no estado, comanda boa parte dos ataques. Se a situação é pior, a cobertura jornalística, felizmente, é bem mais sensata — embora se tenham cometido alguns absurdos também nesse caso —, e o comportamento do governo federal é outro. Desta feita, o Ministério da Justiça, com José Eduardo Cardozo à frente, resolveu se comportar como um dos entes do estado brasileiro encarregados de levar tranquilidade à população e de combater o crime e a violência. Em São Paulo, Cardozo se comportou como chefe de facção.

No estado governado pelo PSDB, o principal adversário do PT, o surto de violência logo ganhou uma coloração política, de caráter partidário. Contra as evidências, contra os fatos, Cardozo acusou o governo do estado, em especial o então secretário de Segurança, Antônio Ferreira Pinto, de ter recusado a ajuda da União. Era mentira. Documentos, estes sim, demonstraram o contrário. 

O Planalto, setores da imprensa e, ora vejam!, o PCC queriam a cabeça de Ferreira Pinto. A pressão foi de tal sorte que ele acabou caindo. Quem desse crédito, então, ao noticiário e às declarações de autoridades federais ficaria com a impressão de que São Paulo era a unidade da federação mais insegura do país.

Em Santa Catarina, a coisa segue, felizmente, por outro caminho. Raimundo Colombo, o governador, migrou da oposição para o governismo. Foi eleito pelo DEM, mas se mudou para o PSD, o partido liderado por Gilberto Kassab, que aportou de mala e cuia no lulo-petismo. Não estou censurando o governo federal ou Cardozo por suas atitudes de agora, mas pelas de antes. A população de um estado não pode servir de massa de manobra das escolhas partidárias do governante de turno.

O que se viu em São Paulo no fim do ano passado foi campanha eleitoral antecipada. O PT não esconde de ninguém que o Palácio dos  Bandeirantes é, assim, o seu Palácio de Inverno. Conquistá-lo, hoje, em muitos corações petistas teria um sabor superior ao da própria reeleição de Dilma Rousseff.

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O jornalismo
Também o comportamento da imprensa, desta feita, é mais decente. No passado, conforme demonstrei aqui, ficou evidente que o Ministério da Justiça voltara as costas a uma proposta encaminhada por São Paulo ao governo federal, em que pedia a colaboração da União num programa para equipar a polícia. Ao tentar se justificar, Cardozo deu uma resposta grosseira, afirmando que não era a “Casa da Moeda”, sugerindo que o estado estava solicitando uma regalia indevida.

O Brasil, infelizmente, registra a escandalosa marca de 50 mil homicídios por ano — nenhuma guerra em curso mata tanto. Cada ocorrência havida em São Paulo no período mereceu tratamento que beirou o espetaculoso — e, no entanto, no estado, seguia-se matando muito menos do que no resto do país: menos da metade do que no Rio, menos de um quarto do que em Pernambuco; menos de um quinto do que em Alagoas (sempre na proporção “mortos por cem mil”).

Há mais: hoje, é visível, há uma espécie de apoio à legalidade. O governo de Santa Catarina e o governo federal aparecem no noticiário combatendo o crime e se esforçando para vencer a delinquência. Já o governo de São Paulo enfrentou a franca hostilidade de importantes setores da imprensa. Os microfones eram postos diante do secretário de Segurança e do governador na linha “explique aí, ô meu!”.

Embora se reconheça que o governo de Santa Catarina enfrenta dificuldades com seus presídios, não se tenta decretar a falência da política de segurança pública do estado, como se fez em São Paulo, com o concurso de supostos especialistas, isentos como um táxi.

Que Santa Catarina consiga fazer os bandidos do estado enfiar o rabo entre as pernas. Está recebendo do governo federal e do jornalismo um tratamento bem mais justo do que aquele dispensado a São Paulo. Por aqui, infelizmente, a delinquência não se limitou à ação dos bandidos.

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