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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

VEJA 7 – Diogo: ele é o novo Francenildo?

Leia trechos da coluna de Diogo Mainardi. Volto em seguida: Época publicou uma lista das 100 pessoas mais influentes do Brasil. Eu estou lá. Eu e outros 99. Os outros 99 destacaram-se como “exemplos de força moral”. Só eu fui eleito por minha perniciosidade. Só eu me notabilizei por infectar meu campo de trabalho. Tornei-me […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 20h06 - Publicado em 8 dez 2007, 06h56
Leia trechos da coluna de Diogo Mainardi. Volto em seguida:

Época publicou uma lista das 100 pessoas mais influentes do Brasil. Eu estou lá. Eu e outros 99. Os outros 99 destacaram-se como “exemplos de força moral”. Só eu fui eleito por minha perniciosidade. Só eu me notabilizei por infectar meu campo de trabalho. Tornei-me o emblema do que o país tem de pior. O último desqualificado que mereceu um tratamento análogo por parte de Época foi o caseiro Francenildo. Meu sigilo bancário também foi violado?
(…)
As 100 pessoas mais influentes do Brasil foram retratadas por seus familiares ou admiradores. No meu caso, aconteceu algo diferente. Época pediu um artigo a meu respeito a Lucas Mendes, meu colega no Manhattan Connection. O artigo, entregue na data combinada, foi elogiado por quem o encomendou. Na última hora, porém, trocaram-no por outro, anônimo.
Paulo Nogueira, diretor editorial de Época, responsabilizou-se pela lista. Se ele fez o meu perfil, eu também posso fazer o dele. De sua passagem por VEJA, duas décadas atrás, ninguém consegue se lembrar. Sabe-se apenas que, enquanto seus colegas eram promovidos, sua carreira empacava. Hoje em dia, como eu, Paulo Nogueira tem uma coluna. A minha é publicada em VEJA. A dele, na revista Criativa.
Leia a íntegra clicando aqui

Voltei
Todos os perfis publicados pela revista Época são assinados, exceção feita aos de 14 dos eleitos: 13 são jornalistas e/ou empresários da comunicação. O 14º é Franklin Martins, agora ministro. Diogo é a única “influência” negativa. O texto começa assim: “Ele não tem muita elegância no estilo”… Calma lá! De quem é a opinião? Já se disse muita coisa do colunista de VEJA. Que escreve mal, bem, é a primeira vez. A tanto, nem os inimigos mais rombudos se atrevem. Ao menos isto lhe concedem: ele escreve muito bem. Os perfis publicados pela Época variam dos encômios (a larga maioria) à, no máximo, ambigüidade. Mesmo quando o retratado merece pinceladas críticas, há algo de bom. Menos em Diogo. Tudo nele é ruim. Até o texto!!! Pior, diz Época: ele “mainardizou” a VEJA. Como se vê, há uma óbvia intenção, igualmente subalterna, de atacar a revista, o que se nota, ademais, em outros textos. Já chego lá.

Um dos cem da lista de Época é Edir Macedo. Depois de lembrar que o autoproclamado bispo teve lá seus probleminhas, o texto saca um “no entanto” da algibeira e passa a elogiar as virtudes do “empresário”. Segundo a revista, a TV Record clonou o Jornal Nacional “com bons resultados”. Quais? Quem fala dele? Qual é a sua relevância? Aborda também seu “crescente prestígio”, o que teria seiodo evidenciado pela inauguração da Record News, que “contou com a presença do presidente Lula”. Exalta ainda o esforço de Macedo para “descontaminar a programação da Rede Record do conteúdo religioso”. E informa que a emissora já está na “vice-liderança”. Época não informa, mas eu informo: a Record News ainda não atingiu um ponto no Ibope. A programação da Rede Record está menos contaminada pela Igreja Universal, mas não o seu caixa. A seita compra horário da emissora por um preço muito acima do mercado, o que caracteriza uma forma de legalizar a entrada de dinheiro da “igreja” na TV. Nada disso está lá. Deve fazer parte de uma receita tosca de independência e equilíbrio. A leitura de Época sugere que Edir Macedo já é um sócio — menor, mas sócio — do clube a que pertence a família Marinho, dona da Globo. Não é, não.

Já defendi aqui, como sabem, muitas vezes, a TV Globo de ataques energúmenos que lhe fazem as esquerdas. Há poucos dias, escrevi que todo o delírio esquerdopata com a tal “mídia” tem dois alvos: VEJA e TV Globo. O resto, os tontos-macoutes do petismo até engolem. Mas eles adorariam que a principal emissora do país tivesse o mesmo destino da RCTV. Sonham com a possibilidade de um dia empastelar a revista. Defendi e defendo. Por quê? Por ela, Globo? Pelos Marinho? Eles não precisam de mim. Na verdade, eu a defendo por mim: em nome da minha liberdade, da liberdade das minhas filhas, da liberdade do meu país — se me permitem ser, assim, amplo. Boa parte da torcida para que a Record passe a ameaçar a Globo é de gente que odeia não os eventuais defeitos da maior emissora do país, mas as suas qualidades, a sua competência.

Época amesquinhou-se. Comportou-se, no caso de Diogo Mainardi e da VEJA, mais ou menos como se comportam os anões morais que são adversários da TV Globo. À diferença da emissora, em vez da grandeza, ressentimento; em vez da ponderação, a provocação barata; em vez do rigor técnico, a desqualificação. No perfil dedicado a Roberto Civita, dono da Editora Abril, lê-se: “VEJA viveu seu período de ouro nos anos 80, quando era amplamente admirada (e copiada) pela prosa elegante (…), mas ainda conserva uma forte influência”. Huuummm. O “período de ouro”, não por acaso, coincide com a passagem do tal Paulo Nogueira por lá. Dizer o quê? Em razão do trabalho de VEJA, Collor caiu nos anos… 90! Renan, nos anos 2000. Muitos “barbalhos” se contam no meio do caminho. É… A revista que vende 1.200.000 exemplares conserva, de fato, “forte influência”. Como influente é a maior emissora do país. A Record, a segunda — mas muito, muito atrás da primeira — não consegue viver senão da cópia malfeita e do ressentimento…

Na “Carta dos Editores” de Época, lê-se sobre os perfis: “Eventuais elogios devem ser repartidos por todo o time, mas as reclamações devem ser atribuídas exclusivamente aos que assinam embaixo”. Quem assina embaixo do perfil de Diogo Mainardi? Quem assina a lavanderia de reputação que serve a Edir Macedo? O comando da revista Época deveria ter a Rede Globo como exemplo. Mas parece ter escolhido outro caminho.

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