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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Uma questão de princípios para mim e para vocês. Ou: Retratro de colunistas quando pensam

(…) Se têm a verdade, guardem-na! (…) Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa? Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade. Assim, como sou, tenham paciência! Vão para o diabo sem mim, Ou deixem-me ir sozinho para o diabo! Para que havemos de ir juntos? Não me peguem no braço! […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 14h32 - Publicado em 16 ago 2010, 16h12
FLAGRANTE - Tio Rei fotografou um grupo de colunistas e candidatos a intelectuais do regime expressando o melhor da economia política em seu exercício diário de pensamento

FLAGRANTE – Tio Rei fotografou um grupo de colunistas e candidatos a intelectuais do regime expressando o melhor da economia política em seu exercício diário de pensamento

(…)
Se têm a verdade, guardem-na!
(…)
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos? Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço.
(…)

O trecho acima é do poema “Lisbon Revisited (1923)”, de Álvaro de Campos, um dos heterônimos do poeta português Fernando Pessoa (1888-1935), o maior depois de Camões e um dos grandes da literatura universal em qualquer tempo.  Pensei nele ao receber uma “mensagem” de alguém “muito generoso”, que me “quer muito bem” e que me “admira muito”. NÃO GOSTO QUE ME PEGUEM NO BRAÇO!

Qual é o ponto do sujeito que se autocandidata a meu “amigo”? Ele quer que eu, em nome da realidade dos fatos, admita que Dilma Rousseff já ganhou as eleições, “como todos os seus colegas já sabem”, escreve ele, e isso seria um sinal da minha “maturidade”. Não sei que idade tem o dito-cujo, mas ele acredita que, aos 48 anos, eu estou com aquelas palpitações juvenis que negam aos fatos — mais ou menos como se eu fosse um Plínio de Arruda Sampaio precoce…

Não ignoro o que boa parte dos meus “coleguinhas” tem escrito e como se dedicam a ilustrar com narrativas sempre novas o que consideram, de fato, o jogo já jogado. Não! Não entro nessa! Não entro porque a tendência esboçada não é fato realizado, porque o segundo turno é possível e porque, caso ele aconteça, a disputa tem outra natureza.

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E TAMBÉM PORQUE REPUDIO COVARDIAS. EU RECONHEÇO DILMA COMO FAVORITA DESDE QUE ELA TINHA 3%. NÃO PRECISEI QUE ELA ASCENDESSE NAS PESQUISAS PARA ISSO.

Negadores da realidade
Diz o candidato a ser o meu Virgílio nos círculos do inferno petista que estou negando a realidade ao não reconhecer etc e tal. Que papo furado! Não estou negando nada! Os números das pesquisas estão neste blog como estão em toda parte. Se eu não penso sobre eles o mesmo que pensam os animadores de torcida, “paciência”! Mas isso é o de menos.

Se eu passar a escrever como o colunista A, o colunista B e, sobretudo, o colunista Z, a tal REALIDADE muda? As razões por que sou, sim, um crítico do modo como o PT entende o poder deixariam de existir? Se eu resolvesse me comportar como essas vergonhosas “cheerleaders” que andam por aí, pergunto:
– o sigilo bancário passaria a ser respeitado?;
– o sigilo fiscal passaria a ser respeitado?;
– o sigilo telefônico passaria a ser respeitado?;
– os fabricantes de dossiês iriam para a cadeia?;
– o TCU recuperaria suas prerrogativas?;
– o governo passaria a respeitar as leis?;
– o Ministério Público voltaria a ser tão vigilante quanto era antes?

Acho que não!

O meu “amigo” não entendeu. Eu não passei a escrever o que escrevo porque as eleições estão chegando. Elas alteram muito pouco as minhas preocupações. Estão vendo aquela foto lá no alto? Ainda que eu tivesse vocação para aquele tipo de espetáculo, o grupo já está completo. Os barbados estão na fila de trás. Vença quem vencer, a minha pauta seguirá a mesma: chicote em quem não reconhece os valores democráticos como os únicos aceitáveis no mundo moderno.

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