Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia
Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

“Uma guerra civil com intervenção estrangeira”, diz especialista sobre conflito na Líbia

Enfim, uma voz sensata no meio de tanta estupidez. Leiam: Por Graça Magalhães-Ruether, no Globo: Para o ex-vice-ministro da Defesa alemão e atual professor de estratégia militar da Universidade de Potsdam, Walther Stuetzle, a manutenção dos bombardeios da Otan na Líbia é um erro grave e não tem o aval do Conselho de Segurança da […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 12h15 - Publicado em 15 abr 2011, 17h25

Enfim, uma voz sensata no meio de tanta estupidez. Leiam:

Por Graça Magalhães-Ruether, no Globo:
Para o ex-vice-ministro da Defesa alemão e atual professor de estratégia militar da Universidade de Potsdam, Walther Stuetzle, a manutenção dos bombardeios da Otan na Líbia é um erro grave e não tem o aval do Conselho de Segurança da ONU.

O GLOBO: A Otan vai refletir sobre a exigência dos Brics de suspender imediatamente os bombardeios na Líbia?
WALTHER STUETZLE:
Seria bom se a Otan atendesse à exigência. Mas eu acho que não há chances para isso. A prova são os bombardeios de hoje (ontem). A Otan está inflexível porque a França e a Inglaterra decidiram realizar uma campanha militar contra a Líbia. A Alemanha é contra, mas errou também por não ter procurado um entendimento político. Agora a Otan está numa situação difícil porque a ação é mais complicada do que parecia no início.

O GLOBO: Na sua opinião, a Otan pode realizar uma guerra contra a vontade de diversos países?
STUETZLE:
O Conselho de Segurança elaborou uma resolução que permite o cessar-fogo, o início da negociação pacífica, e sanções – com o congelamento dos bens de Kadafi e de sua família, além do embargo de armas. A guerra aérea não tem o aval da ONU, que decidiu apenas o fechamento do espaço aéreo para impedir os bombardeios de Kadafi.

O GLOBO: A ONU e a Otan buscaram uma solução política antes do início da ação militar?
STUETZLE:
Não, e este foi, na minha opinião, um erro gravíssimo. A França e a Inglaterra queriam começar logo com a campanha militar antes de esperar o resultado dos esforços diplomáticos.

O GLOBO: Qual o significado do impasse para o futuro da Otan?
STUETZLE:
O significado é uma crise política da Aliança Atlântica. Além disso, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, tem mostrado ser incapaz de proteger o maior bem da aliança, que é o consenso político. Há na Líbia uma guerra civil com a intervenção de estrangeiros. A guerra precisa terminar, mas não através de ataques de fora, e sim de um diálogo político. O que a Líbia precisa é de uma nova ordem política, o que só é possível através do diálogo e de negociações.

Continua após a publicidade
Publicidade