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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Um país mental chamado Emirados Sáderes. Ou: A Madraçal do Emir

Vocês já sabem que Emir Sader é o novo presidente da Casa de Rui Barbosa! Se o indicado tivesse sido Luiz Inácio Lula da Silva por conta de seu rigor acadêmico, a instituição estaria mais bem-servida. O Apedeuta, a seu modo, não deixa de ser um sábio. Sader, o sábio, é um notório apedeuta. Ninguém, […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 20 Feb 2017, 17h45 - Publicado em 24 Feb 2011, 17h38

Vocês já sabem que Emir Sader é o novo presidente da Casa de Rui Barbosa! Se o indicado tivesse sido Luiz Inácio Lula da Silva por conta de seu rigor acadêmico, a instituição estaria mais bem-servida. O Apedeuta, a seu modo, não deixa de ser um sábio. Sader, o sábio, é um notório apedeuta.

Ninguém, por exemplo, espanca a língua portuguesa, a lógica e os fatos como ele. Mas, admito, é um senhor bem-sucedido: sabe arrumar emprego. Um leitor me envia uma entrevista que ele concedeu ao jornal O Globo no dia 5 deste mês. Eu não a havia lido. Não adianta! Sader não consegue me espantar. Não por acaso, eu o trato como uma espécie de pequeno país mental: os Emirados Sáderes.

Na Casa, ele diz querer estimular uma “reflexão mais contemporânea sobre o Brasil”, seja lá o que isso signifique. E também quer apostar na pluralidade. Sader e a pluralidade não costumam se encontrar nem na gramática. Que ele venha agora posar (ele próprio escreveria “pousar”) de grande democrata não deixa de ser expressão de alguma inteligência, a única possível no seu caso: o cinismo.

Quem são os “pluralistas” de Emir Sader? Ele os cita: Eduardo Galeano, István Mészáros, Slavoj Zizek, Marilena Chaui, Maria Rita Kehl, Carlos Nelson Coutinho, Luis Fiori… Uau! Vocês conseguem pensar em um grupo mais jovem e arejado do que esse? Vá lá que eles possam divergir sobre o prato predileto, mas, com essa turma, a gente pode fundar é uma madraçal (a imprensa brasileira grafa “madrassa”, o que o dicionário não endossa), não um centro dinômico de pensamento. Marilena Chaui era novidade no século 19!

Agora vejam que coincidência: Zizek, Kehl, Fiori e Mésazáros são autores da Editora Boitempo, da qual Emir Sáder é o grande Morubixaba. Viva o pluralismo! A Casa de Rui Barbosa está sendo, como se nota, privatizada.

Para encerrar este post: a estrela da turma, hoje em dia, é o delinqüente Slavoj Zizek, que tem feito bastante sucesso nos círculos de esquerda e de extrema esquerda do Brasil e do mundo. A grande obra deste senhor é tentar provar as virtudes renovadoras do terrorismo.

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Essa gente está sendo abrigada na Casa de Rui Barbosa. Não é só a língua portuguesa que foi para o esgoto. A vergonha na cara também.

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