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Tolerante sou eu!!!

Ah, não sei quem é mais chato: se o petralha que vem com as suas tolices já tornadas históricas ou alguns bobalhões que se querem os “guardiões do templo” — alguns do catolicismo; outros, mais amplamente, do cristianismo… Porque não compartilho de suas mesmas teses conspiratórias sobre o suposto grande complô gay para dominar o […]

Ah, não sei quem é mais chato: se o petralha que vem com as suas tolices já tornadas históricas ou alguns bobalhões que se querem os “guardiões do templo” — alguns do catolicismo; outros, mais amplamente, do cristianismo…

Porque não compartilho de suas mesmas teses conspiratórias sobre o suposto grande complô gay para dominar o mundo (tenham paciência!!!), então eu não teria legitimidade para fazer certas críticas. Ou por outra: porque não me alinho com seus delírios  — também eles formam uma minoria de sectários que querem impor a sua vontade aos outros; são iguais aos gays extremistas, só que do outro lado —, então eu não faria uma crítica enérgica o bastante.

Bem, qual é o ponto? Querem que eu trate a homossexualidade como abominação, doença ou sem-vergonhice. Não trato. Uma parcela dos mamíferos e das aves é homossexual e pronto — os répteis, peixes e insetos, não sei… Embora os sectários do movimento gay fiquem bravos comigo — danem-se! —, sou favorável à união civil e, a depender do caso, até à adoção de crianças. E isso irrita muito os sectários do outro lado, que querem me excomungar e dizem que não levo a Bíblia a sério. É mesmo? Comem bacon? Então não levam também! Vão plantar batatas os extremistas!

Não mudei o centro da minha abordagem e não vou ceder a apelo de lado nenhum:
1 – o Supremo exorbitou ao reconhecer a união civil contra o que está explicitado no Artigo 226 da Constituição;
2 – o PLC 122, na forma que tinha (vamos ver agora), agredia a liberdade de expressão e a liberdade religiosa, direitos protegidos pela Constituição;
3 – não se trata de uma luta entre “progressistas” e “reacionários”, a menos que, em nome dos direitos dos gays, estejam querendo impor a mordaça a evangélicos e católicos;
4 – a Parada Gay vilipendiou símbolos do Catolicismo em nome da tolerância.

Querem saber? Nessa confusão toda, eu é que estou entre os tolerantes, não é mesmo? Acho que uns e outros merecem respeito, dentro do ordenamento jurídico dado — obedecendo-se, inclusive, ao ritual para mudá-lo. Ninguém precisa ceder aos valores de ninguém. Não estamos numa guerra evolutiva, como querem alguns, em que um dos lados tenderá a desaparecer depois de devidamente vencido. Isso é uma tolice. Sou imune aos apelos do desvario.

“Mas você não percebe que, ao não abominar os gays e não apontar os seus desvios, está colaborando com o gayzismo etc, etc, etc…” Não! Eu não percebo porque é falso. Se eu tiver de negar algo em que acredito em nome da causa, deixo de pensar e passo a produzir só ideologia vagabunda. “Mas você não percebe que, ao insistir na questão legal, está dando asas a alguns reacionários etc, etc, etc…” Não! Eu não percebo porque é falso. Se eu tiver de negar algo em que acredito em nome da causa, deixo de pensar e passo a produzir só ideologia vagabunda.

Aos primeiros, digo: eu realmente não acho que alguém seja gay por opção ou porque ceda à tentação, assim como muitos de nós precisam tomar cuidado para não exagerar no chocolate… Quem sustenta que homossexualidade é tentação ou escolha não acredita, por suposto, é na heterossexualidade; é uma questão de lógica elementar. Aos outros digo: eu realmente não acho que se trata de uma guerra da luz contra as trevas; tanto é assim que poucas coisas são tão reacionárias, porquanto agrida direitos individuais, como o ta PLC 122 na sua forma original.

O debate, se posto nesses termos, torna todo mundo mais burro e mais intolerante.

Digo, para encerrar, que, se não tenho receio de enfrentar a patrulha do gayzismo, que conta com sólido apoio da imprensa, imaginem se vou me constranger com certos aiatolás de si mesmos! Não há o menor perigo! Eu realmente prego a tolerância e o respeito à diferença e abomino, aí sim, os que se querem, de um lado, monopolistas da tradição e, de outro, monopolistas da mudança.

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