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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

“Tio do Supremo, Tio do Supremo, nenê num qué êssi deputado, nenê num qué…” Ou: STF vira supernanny de deputados insatisfeitos. E uma deputada chamada Kokay

É uma vergonha! É um acinte! É um esculacho! Um grupo de deputados, a maioria de esquerda, claro!, decidiu recorrer ao Supremo para tentar cassar a nomeação do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Querem tirá-lo de lá porque ele é evangélico, porque ele não segue a […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 06h42 - Publicado em 12 mar 2013, 17h44

É uma vergonha! É um acinte! É um esculacho!

Um grupo de deputados, a maioria de esquerda, claro!, decidiu recorrer ao Supremo para tentar cassar a nomeação do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Querem tirá-lo de lá porque ele é evangélico, porque ele não segue a pauta considerada “correta”, porque não gostam do que ele pensa. E eles têm o direito de não gostar e de conduzir uma luta política. Mas não o de acusá-lo de cometer crimes que não cometeu. Mais grave ainda: não têm o direito de tentar encontrar uma justificativa técnica para resolver uma divergência que é de natureza política.

Mais uma vez, estão querendo levar a choradeira para o Supremo. O STF agora virou a supernanny, a babá, de deputados insatisfeitos. Depois reclamam que o tribunal se mete em tudo. O Executivo e o Legislativo fazem as suas besteiras e lambanças, entregam-se a seus negócios, negociatas e covardias, e depois vão bater à porta dos togados: “Pô, deem um jeitinho aí pra gente, vai…”

Vão mal, do ponto de vista moral, um país e um Parlamento que aceitam peculadores, corruptos e quadrilheiros na Comissão de Constituição e Justiça — sim, eu me refiro a José Genoino e a João Paulo Cunha —, mas que reagem à presença de um pastor na Comissão de Direitos Humanos, por mais contestáveis que sejam ou que fossem as suas ideias. O NOME DISSO É CRIMINALIZAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.

Tenham a coragem de encarar a democracia e de seguir as suas regras. Nada impede os descontentes de se organizar e de expressar a sua opinião; nada os impede de debater as suas teses no âmbito da própria comissão. Decidir, no entanto, que só pode integrar aquele grupo quem está comprometido com a pauta “x” não é democracia, mas violência institucional.

Tudo muito compreensível num tempo em que um Pedro Abramovay, na liderança de um braço de uma entidade internacional, declara abertamente (ver post) que ela funciona como um tribunal de exceção: só vai para a guilhotina quem a sua turma decide que vai para a guilhotina… E a turma de Abramovay pode mandar cortar o pescoço de um Renan Calheiros (e a maioria aplaude) ou de um Marco Feliciano (idem). Mas preserva os pescoços de patriotas como José Dirceu, José Genoino, João Paulo Cunha e companhia. É que a turma de Abramovay é independente como um táxi (ainda voltarei ao assunto).

Érika Kokay
Leio na VEJA.com que uma das parlamentares indignadas com a eleição do deputado Marco Feliciano para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara é a deputada Érika Kokay, do PT do Distrito Federal. É mesmo? Que mulher encantadora! Ela integrou a tropa de choque da esquerda que foi vociferar ao microfone contra a presença da blogueira Yoany Sánchez no Parlamento brasileiro. O pretexto foi a suposta quebra do regimento por interromper a sessão. Um se funcionário participou ativamente das manifestações contra a blogueira. Aí a petista soltou uma nota dizendo, boa petista, que não tinha nada com isso.

Se bem que ocorre que Koaky é coerente. Nos dois casos, ela se mostra empenhada em calar a boca de quem discorda dela. 

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