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Strauss-Kahn está solto. Ou: O tribunal discricionário formado pelo multiculturalismo, pelo racismo às avessas e pelo feminismo cretino

Dominique Strauss-Kahn, ex-diretor-gerente do FMI, não está mais em prisão domiciliar. Foi libertado sem fiança, o que significa que a acusação de tentativa de estupro não se sustenta. Ele ainda não pode deixar os EUA, seu passaporte continua retido, o processo persiste, mas é evidente que o caso sofreu uma reviravolta. Há agora o esforço […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 11h28 - Publicado em 1 jul 2011, 15h45

Ex-diretor do FMI Dominique Strauss-Kahn deixa corte de NY ao lado da mulher; ele foi libertado sem fiança, em foto de Mario Tama, da France Presse

Ex-diretor do FMI Dominique Strauss-Kahn deixa corte de NY ao lado da mulher; ele foi libertado sem fiança, em foto de Mario Tama, da France Presse

Dominique Strauss-Kahn, ex-diretor-gerente do FMI, não está mais em prisão domiciliar. Foi libertado sem fiança, o que significa que a acusação de tentativa de estupro não se sustenta. Ele ainda não pode deixar os EUA, seu passaporte continua retido, o processo persiste, mas é evidente que o caso sofreu uma reviravolta. Há agora o esforço para que ele admita algum crime menor. É preciso tentar salvar minimamente a honra do sistema… Já abordei no texto desta manhã as circunstâncias em que isso se deu.

Não! Ele nunca foi nem passou a ser o meu herói. O que sempre apontei nesse caso foi o despropósito. O que se passa nos EUA? “A” diz que “B” tentou estuprá-la, “B” nega, mas isso é o bastante para que seja algemado, preso, exposto à execração pública, obrigado a pagar uma fiança estratosférica para ficar em prisão domiciliar, vigiado por uma tornozeleira? E a investigação vem só depois? Ou seja: a investigação nem tinha acontecido, e ele já começava a cumprir a pena?

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Sim, há algo de profundamente errado nos EUA nos casos de crimes sexuais: o acusado precisa provar que é inocente; não é quem acusa que precisa apresentar provas de que o outro é culpado. Basta contar à Polícia e aos promotores uma histórica convincente. E é aí que esta o busílis: quem for um oprimido de manual sempre será mais convincente do que o “opressor”, também de manual.

No caso, estava tudo dado, não? Uma camareira negra, imigrante da Guiné e pobre contra  um branco europeu, rico e poderoso — pior: com fama de namorador. Era mais do que uma história; era um emblema: a África colonizada obrigada a fazer “blow job” na Europa colonizadora! Era preciso vingar os oprimidos.

O que se passa nos EUA, afinal, quando se acusa alguém de crime sexual? “Ah, é culpa do puritanismo! No fim das contas, o responsável é Calvino!” Uma ova! Isso nada tem a ver com puritanismo. Quem obrigou um inocente — DO CRIME DE ESTUPRO AO MENOS — a cumprir pena antes da investigação foi o politicamente correto. Isso é o resultado da militância sectária — não a libertária — de feministas, multiculturalistas, racistas às avessas disfarçados de igualitaristas etc. Criou-se uma cultura!!! Considera-se impensável que a versão de uma mulher pobre, negra e africana possa ser contestada pela versão de um homem rico, branco e europeu. A dela, de saída, sempre terá mais credibilidade porque, ao se julgar o caso em particular, é preciso considerar:
a) a opressão histórica a que foram submetidas as mulheres;
b) a opressão histórica a que foram submetidos os negros;
c) a opressão histórica a que foi submetida a África.

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Em suma, que importa que um indivíduo em particular — no caso, Strauss-Kahn — possa ser inocente? O importante é que vigore o mecanismo de compensações históricas.

Atenção! Essa cultura também se espalha por aqui e já contaminou até o Supremo. Há uma grande tentação para não se julgar mais de acordo com a letra da lei; há uma grande tentação para que cada caso em particular seja visto segundo uma ordem mais geral de reparação histórica. Ministros do Supremo hoje dizem sem receio que a lei tem de tratar desigualmente os desiguais. É a INJUSTIÇA REDENTORA!

ISSO VEM A SER EXATAMENTE O OPOSTO DA JUSTIÇA.

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