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SOCIEDADE 1 X 0 MÚMIAS BOLCHEVIQUES

Em texto da madrugada de ontem, Afinal, quantas divisões tem a imprensa, antevi que Lula mudaria o decreto para pacificar os que têm “divisões”, os que têm armas. O resto tendia a ficar como está — ou quase; já chego lá. Achei que pudessem amenizar a questão do aborto, mas isso não mudou. No novo […]

Em texto da madrugada de ontem, Afinal, quantas divisões tem a imprensa, antevi que Lula mudaria o decreto para pacificar os que têm “divisões”, os que têm armas. O resto tendia a ficar como está — ou quase; já chego lá. Achei que pudessem amenizar a questão do aborto, mas isso não mudou. No novo decreto, a palavra “repressão” foi substituída por “violação dos direitos humanos”. Como informei no dia 31, o que tinha sido acordado com os militares é que a redação dessa estrovenga abriria a possibilidade de investigar “os dois lados”. Tarso Genro, Paulo Vannuchi, Franklin Martins e Dilma Rousseff — todos com ligações pretéritas com grupos terroristas; no caso de Tarso, o vínculo esteve mais para a chanchada, como lhe é próprio — é que mandaram o acordo às favas, com o consentimento de Lula. E a crise militar se instalou.

Não faltarão os tontinhos, com muitas idéias na cabeça e nenhum livro na memória, para afirmar que, oh!!!, vivemos numa democracia sob “tutela militar”. Afinal, não fosse assim, tudo ficaria como estava. Bobagem! Lula recuou porque sabe que avançou o sinal; ele estava testando até onde poderia chegar. Já desisti de pedir a certos coleguinhas que leiam O Príncipe. Então sugiro que roubem das crianças O Pequeno Príncipe mesmo. Para certas mentalidades, uma noção ainda que primária de realidade já pode ser um feito. “Se ordenares a teu povo que se lance ao mar, ele fará revolução”  ou algo assim. Não lembro se é fala da raposa… Ora, a democracia NÃO É O REGIME em que qualquer coisa é possível. ASSIM É NAS TIRANIAS. Nas democracias, o possível é só aquilo que está na lei. Se Lula não queria ser posto em xeque, como foi, pelos militares, não deveria ter provocado tal situação. Em qualquer democracia do mundo, os governantes têm limites. A democracia brasileira está tutelada, sim: PELA CONSTITUIÇÃO. Adiante.

As várias entidades que representam segmentos importantes da sociedade brasileira disseram “Não” ao decreto. A razão não poderia ser mais óbvia, escancarada até: o estado — ou o governo — chama para si prerrogativas que não são suas. Pior: mascara a tentação totalitária com um arremedo de democracia, que nada mais seria, se aplicado, do que a entrega de “todo poder aos sovietes” — na forma dos ditos “movimentos sociais” e “Ongs”, todos eles meros braços e franjas do petismo, de modo que este estado hipertrofiado nada mais seria do que a hipertrofia do “partido”. É por isso que dei início à cruzada democrática neste blog, com repercussão, felizmente, em todo o Brasil, com um texto que tem o seguinte título: DECRETO GOLPISTA DE LULA USA DIREITOS HUMANOS PARA TENTAR CENSURAR A IMPRENSA E QUER MOVIMENTOS SOCIAIS SUBSTITUINDO O CONGRESSO. Se o decreto se transformasse em projetos de lei, aprovados pelo Congresso, estaríamos diante de um evidente golpe de estado, executado por um partido.

Sai o aspecto mais escancaradamente revanchista do programa, mas permanecem outras tentações totalitárias: fim do direito à propriedade, censura à imprensa, perseguição religiosa, descriminação do aborto (sem mais explicações)… “Afinal — deve ter pensado Lula no seu pragmatismo tosco —, a imprensa, os católicos e os proprietários rurais não têm armas. Então não vou ceder”.

Bem, em primeiro lugar, cumpre destacar que cedeu, sim. A mudança do aspecto mais ruidoso do programa torna, na prática, toda a peça um mero libelo dos bolcheviques delirantes do governo. Vamos ver quais forças políticas terão a coragem de se mobilizar para transformar algumas daquelas “sugestões” em projetos de lei. O próprio Congresso deve ter percebido que o texto o torna obsoleto, substituindo-o pelos movimentos sociais. Ademais, resta uma obviedade: a “sovietização” do Brasil ali contida é inconstitucional. E isso também já está claro. Ou o Supremo consideraria, por exemplo, constitucional uma lei que retirasse de um juiz a prerrogativa de conceder uma liminar?

O texto, é bom deixar claro, nem foi pensado para criar mudanças imediatas. Ele é uma peça da agitação política. Algum gênio deve ter achado que, assim, o petismo se tornaria líder de um debate que mobilizaria a sociedade. O tiro saiu pela culatra e lhes pegou nas fuças. Esse negócio de que o lado bom do plano é estarmos debatendo direitos humanos é de uma burrice ímpar. O lado bom do plano é que tivemos acesso a uma parte do programa de governo de Dilma Rousseff, cujo ministério deu forma final ao decreto. Já sabemos que, se ela ganhar, haverá tentativa de censurar a imprensa, de exterminar o direito de propriedade, de fazer a revanche com os militares, de controlar a sociedade por meio dos movimentos sociais, de tornar o Congresso obsoleto, de descriminar o aborto, de banir os crucifixos das repartições públicas etc. Sairia do governo o PT de Lula para dar lugar à VPR de Dilma, ao MR-8 de Franklin Martins, à ALN de Vannuchi… Mas sempre respeitando as regras de mercado, é claro… Porque é preciso seduzir a banca.

Por enquanto, Sociedade 1 x 0 Múmias Bolcheviques. A luta está apenas no começo.

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