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Snowden, mais um delinquente alçado à condição de herói, expõe crise de valores de nosso tempo. Ou: Viva o monitoramento contra o terrorismo!

Edward Snowden, o delinquente americano alçado à condição de herói pela crise de valores dos nossos dias, deixou o aeroporto Sheremetyevo, em Moscou, de posse de um documento que lhe garante asilo temporário. Ficará na Rússia por algum tempo, até escolher seu destino. Três países lhe ofereceram estadia permanente: Bolívia, Venezuela e Nicarágua. Bem feito! Já […]

Edward Snowden, o delinquente americano alçado à condição de herói pela crise de valores dos nossos dias, deixou o aeroporto Sheremetyevo, em Moscou, de posse de um documento que lhe garante asilo temporário. Ficará na Rússia por algum tempo, até escolher seu destino. Três países lhe ofereceram estadia permanente: Bolívia, Venezuela e Nicarágua. Bem feito! Já escrevi três artigos focados nesse tipinho à-toa, o namorado da dançarina que, numa pegada, digamos assim, psicanalítica, resolveu compensar a possível humilhação sexual posando de herói dos direitos individuais, agora em parceria com outro delinquente buliçoso: Julian Assange, do WikiLeaks. Não é mesmo impressionante que gente dessa laia entre em confronto com os EUA, mas não com China, Irã ou, para ficar no caso em espécie, a Rússia, que só mesmo um empirista burro e empedernido classificaria de “democracia”?

Não estou sugerindo nenhuma conspiração, não! Até porque não é necessário. Os fatos conspiram por si mesmos. É evidente que as denúncias de Snowden atuam, de maneira objetiva e pontual, em favor dos interesses dos adversários globais dos EUA e, de modo mais amplo, do terrorismo internacional. Reitero: trata-se de uma COLABORAÇÃO OBJETIVA, pouco importando suas intenções, que compõem o fator subjetivo — isso é matéria que seria do interesse dos tribunais, caso ele fosse julgado.

Ora, ora… O herói de Assange é ninguém menos do que Rafael Correa, presidente do Equador, que lhe ofereceu asilo. Apresentam-se como candidatos a benfeitores de Snowden Evo Morales, o índio de araque; Nicolás Maduro, o bigodudo que fala com passarinhos, por intermédio dos quais ouve as instruções que Chávez manda do inferno, e o orelhudo Daniel Ortega. Os quatro compõem a elite da escória latino-americana que persegue a imprensa livre e comandam regimes de força. Sabe, leitor, aquela conversa de seu pai do “diga-me com quem andas…”? Pois é… Seu pai estava ou está certo. Quem não quer ser confundido não se mistura.

Não tenho a menor simpatia por Barack Obama e por seu governo, como vocês estão cansados de saber. Atenção! As minhas restrições ao presidente americano, nesse particular, não se devem ao fato de ele ter mantido e ampliado o sistema de monitoramento, que considero necessário. Elas se devem, isto sim, é à sua conversa mole, quando candidato, sugerindo que o sistema integrava o aparato repressor montado pelos republicanos para combater o terror. As denúncias de Snowden teriam tido impacto reduzido se o presidente americano fosse George W. Bush ou outro “falcão” republicano qualquer. Só assumiram tal dimensão porque, afinal, Obama se apresentava como o líder de uma suposta segunda onda em defesa dos direitos civis… Não consta que estivessem sob ameaça, não é mesmo?

Não que o governo Obama seja um exemplo de democracia! Mas não por causa do sistema de monitoramento! Grave, isto sim, foi a perseguição empreendida por órgãos do estado americano à direita do Partido Republicano.  O fisco dos EUA passou a perseguir doadores de entidades ligadas ao Tea Party. Tal prática, sim, assumiu características de estado policial. Curiosamente, ou nem tanto, a questão sumiu da imprensa. O que estou a dizer é que toda a gritaria internacional contra o sistema de monitoramento das comunicações — QUE É NECESSÁRIO! — é alimentada pelo recalcitrante antiamericanismo.

No dia 8 de julho, escrevi aqui um post em que afirmava o que vai em azul:

(…)
Dia desses, assistindo a uma reportagem de TV, a moça — com aquele ar indignado a que a ignorância sempre confere aparência de convicção — observou que, a despeito de tanto monitoramento, o serviço secreto americano não conseguiu impedir o atentado terrorista de Boston. É um raciocínio estúpido. A eficiência de um monitoramento não se mede pelos atentados que ocorrem, mas por aqueles que não ocorrem. E parte do serviço de segurança consiste justamente em omitir essas informações para não gerar pânico e garantir a segurança de algumas operações. Mesmo assim, alguns casos vieram a público. Já se impediu um facínora, por exemplo, que levava um dispositivo explosivo no salto do sapato, de explodir um avião. Quantos ataques o monitoramento já evitou no país que teve o 11 de Setembro e mundo afora? Ninguém jamais saberá.

Pois bem. O Estadão de hoje traz a tradução de um artigo de Walter Pincus, colunista do Washington Post, intitulado “Em defesa do monitoramento”. Ele se refere à atuação da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês). Pincus lembra o óbvio: não existe monitoramento prévio de conteúdo. Este só é permitido com autorização judicial e desde que existam indícios que apontem uma possível ação terrorista. Destaco um trecho (também em azul):
“Um funcionário da NSA afirmou à Comissão de Justiça da Câmara, no dia 17, que mais de 90% dos cerca de 50 planos terroristas foram frustrados graças às informações permitidas” pelo programa.

Sabemos como é o mundo sob os cuidados da NSA, mas não temos como saber como seria sem ele. Ou temos. Quem não se lembra do 11 de Setembro de 2001 nos EUA e do 11 de Março de 2004 na Espanha? Reproduzo o último parágrafo do artigo de Pincus (em azul):
O presidente da inteligência da Câmara, Mike Rogers, republicano de Michigan, tem usado seu tempo para defender os programas. Mesmo assim, prometeu que nos próximos meses “trabalhará para encontrar outras proteções adicionais da privacidade” para 2014. Ele disse que os programas 702 e 215 por 54 vezes impediram e frustraram ataques terroristas nos EUA e na Europa, salvando vidas. “Não se trata de um jogo. É real”, afirmou Rogers.

Volto ao ponto. Há, mundo afora, certo clima propício à anarquia — que contamina, como sabemos, também o solo nativo — que faz de vigaristas como Assange e Snowden heróis de uma suposta resistência dos indivíduos contra o estado Leviatã. É, entendo, conversa de cretinos. Estou entre aqueles que resistem à onipresença estatal em nossa vida privada. Penso, por exemplo, que o mal essencial do Brasil é o tamanho do estado. Mas daí a considerar que as sociedades livres podem abrir mão das facilidades que lhes confere a tecnologia para combater o terrorismo, também global, vai uma enorme distância.

A NSA, por tudo o que se sabe até agora, não está agredindo direitos individuais coisa nenhuma! Está, isto sim, preservando-os, uma vez que consiste num conjunto de medidas que servem para combater a ditadura do terror. A denúncia de Snowden vem embrulhada numa impressionante embalagem de má-fé. Acho, sim, saudável que haja uma reação em defesa da privacidade, dos direitos individuais e do sigilo das comunicações interpessoais. Mas isso é coisa muito distinta de demonizar o necessário sistema de monitoramento contra o terrorismo. Snowden fez o mundo acreditar que o governo americano tem acesso ao conteúdo de cada telefonema ou e-mail que enviamos, o que é falso. Curiosamente, quem se dedica a esse tipo de roubo de informação é o site WikiLeaks, por exemplo, que hoje atua como porta-voz do… traidor — é o que ele é.

Encerro
Se essa conversa toda servir para que se aumentem as salvaguardas individuais, muito bem! Mas isso não torna o traidor um herói. Se você tem ainda alguma dúvida, leitor, então veja quem se ofereceu para abrigar o destemido rapaz. E pergunte-se a si mesmo em que mundo você terá mais garantias de que não vai explodir em praça pública: aquele em que a NSA faz o seu trabalho, devidamente monitorada pelo Congresso dos EUA, ou aquele em que Snowden e Assange são considerados porta-vozes das liberdades individuais. Eu não tenho dúvida nenhuma e já fiz a minha escolha.

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