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Será que Dilma e Alckmin são igualmente culpados? Esse empate não existe e vou dizer por quê

Já há muito aponto uma tendência detestável em setores da imprensa brasileira: só conseguem fazer a devida crítica a um petista se, ao mesmo tempo, derem também algumas pancadas em tucanos, mereçam estes apanhar ou não. Alguém indagará: “Mas é proibido bater no PSDB?”. Ora, que tolice! É claro que não! Mas é preciso saber […]

Já há muito aponto uma tendência detestável em setores da imprensa brasileira: só conseguem fazer a devida crítica a um petista se, ao mesmo tempo, derem também algumas pancadas em tucanos, mereçam estes apanhar ou não. Alguém indagará: “Mas é proibido bater no PSDB?”. Ora, que tolice! É claro que não! Mas é preciso saber por quê, não é mesmo? Só para fazer o jogo do todo mundo é culpado — ou do “não existem inocentes” —, aí não!

Vamos ver. A população do Rio corre o risco de ficar sem água antes da de São Paulo. Também Minas está sob ameaça. Voltemos dois meses no noticiário — eu fiz isso: procurem reportagens sobre a crise hídrica no Rio, por exemplo. Não existiam. Pois bem: neste domingo, o reservatório de Santa Branca, um dos quatro que abastecem o Estado, que fica em São Paulo, também atingiu o volume morto, segundo boletim do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Na última quarta, o nível do maior dos quatro reservatórios que atendem o Estado, o de Paraibuna, já havia alcançado a reserva técnica. Outro, o do Funil, em Itatiaia, está com 3,75% de sua capacidade.

Não acreditem em mim; acreditem nos fatos. Saímos de uma campanha eleitoral faz três meses: a impressão que se tinha, então, era que a crise hídrica era um problema de São Paulo, por culpa do governador Geraldo Alckmin e do PSDB. Alexandre Padilha, candidato ao governo pelo PT, afirmou isso. Dilma Rousseff, nada menos do que presidente da República e disputando a reeleição pelo partido, fez a mesma coisa.

Muito bem! Ocorre que, no Brasil, um problema hídrico decorrente de uma seca histórica é também um problema de energia elétrica. O país, na prática, já vive uma espécie de apagão branco e pode passar a conviver com um racionamento de fato. Também esse assunto esteve ausente da campanha. Ou nem tanto: Dilma se jactou de que não faltava energia no país em razão da fantástica capacidade de planejamento do PT, o que não teria acontecido em relação à água em São Paulo.

Pode-se até afirmar, não entrarei nesse mérito agora, que sucessivos governos de São Paulo deveriam ter se preparado para a tal seca histórica. Sei… Quem se atreveria a propor a criação de um outro Cantareira com as represas cheias? Seria considerado maluco. Mas vá lá. Aos fatos: a campanha da Sabesp defendendo economia de água foi ao ar no dia 27 de fevereiro. Vai fazer onze meses amanhã. Informava-se, então, que a seca do ano anterior tinha sido a maior em 84 anos.

Sem essa: a presidente Dilma Rousseff e o governador Geraldo Alckmin, nesse particular, não são iguais. A nossa governanta foi à televisão, no dia 6 de setembro de 2012, para anunciar a redução da tarifa de energia elétrica para a indústria e para os consumidores. Há uma diferença entre pregar a economia de água, que já escasseava, e defender o aumento do consumo de energia, que já não sobrava. Declarar o empate entre as duas posturas não é só errado. É também uma mentira.

“Ah, mas por que o governador não decretou racionamento?” Porque se obteve a economia possível sem isso, embora, a rigor, tenha havido, sim, diminuição no fornecimento, como todo mundo sabe. Atenção! Nem Alckmin nem Dilma podem responder por uma seca que surpreendeu, sim, também os especialistas. Mas cada um deles pode se responsabilizar por seu comportamento.

Eu não vi o governador sair por aí a jogar em ombros alheios a crise hídrica. Quando afirmou que ela se devia à seca, foi ridicularizado por setores da imprensa. 

Agora que Minas e Rio também estão ameaçados de racionamento, então se descobre o peso do tal fator climático. A senhora Dilma Rousseff subiu no palanque do governador Pezão no Rio e não tocou no assunto.

Mais: os petistas passaram 12 anos afirmando — Dilma muito especialmente — que crise no fornecimento de energia era coisa de quem não sabia planejar. O Brasil só não apagou ainda porque teve quatro anos de crescimento pífio e porque está entrando em recessão. Com a presidente indo à televisão para recomendar que se gastasse mais energia.

De resto, por que a presidente, a Sumida do Cerrado, não foi ainda à TV para fazer o contrário do que fez em 2012, recomendando que se poupe energia? Quando foi para baratear irresponsavelmente a tarifa, ela deu as caras. No ano passado, ela a elevou em 20% e não avisou nada a ninguém. Neste ano, o reajuste previsto é de 40%.

O que vai aqui é uma opinião? É! Mas me diga o que, aqui, não é um fato.

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