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Sempre que o presidente do PT fala, a lógica se espanta

Num comício em Campinas, interior de São Paulo, o presidente do PT, José Eduardo Dutra,  afirmou, referindo-se à oposição: “[são] falsos defensores da liberdade que acusam o senhor [Lula] de governar em cima de palanques, mas eles sentem falta dos que governavam em cima de tanques”. Bobalhão! Zé Mané! As pessoas que estão hoje na […]

Num comício em Campinas, interior de São Paulo, o presidente do PT, José Eduardo Dutra,  afirmou, referindo-se à oposição:
“[são] falsos defensores da liberdade que acusam o senhor [Lula] de governar em cima de palanques, mas eles sentem falta dos que governavam em cima de tanques”.

Bobalhão! Zé Mané!

As pessoas que estão hoje na oposição ajudaram a construir a democracia mais do que as que estão na situação. O partido do sr. Dutra votou contra Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, expulsou os três deputados do partido que votaram a favor e se saiu com a desculpa de que só aceitava eleições diretas.

Vamos ser claros, não? A disputa era entre Paulo Maluf e Tancredo Neves. E o PT decidiu se abster. Verdade ou mentira?

“Ah, mas o sindicalista Lula foi importante para fraturar o regime…” Nunca ninguém lhe negou o seu papel, mas a democracia que temos foi fruto dos que investiram na reconstrução das instituições. Eleito deputado, a sua única grande obra foi acusar a existência de 300 picaretas no Congresso. Os comícios das diretas, que tornaram popular a causa, foram obra de governadores da oposição — que não eram do PT.

Bem, então poderíamos comparar biografias: a de Dilma, candidata do PT, e a de Serra, da oposição. Dilma, militante comunista, queria ditadura, não democracia. Se era contra os tanques no Brasil, era a favor dos tanques na União Soviética, em Cuba e onde mais se espalhasse o horror. E, como nunca fez um mea-culpa, deixa claro que considera ter feito o certo até hoje.

Dutra foi além:
“Estão tentando construir uma farsa para impedir o que o povo brasileiro já decidiu. Não adianta farsa, nem armação. Não adianta produzir manchetes contra nós”.

Produzir manchetes? Quer dizer que manchetes derrubam a ministra mais poderosa do governo? Foram as manchetes que empregaram toda a família de Erenice no governo? Foram as manchetes que fizeram brotar dinheiro vivo na Casa Civil?

Segundo a Folha Online, Dutra ainda chamou de “cabra” o consultor Rubnei Quícoli  — que acusa o filho da ex-ministra Erenice Guerra, Israel, de cobrar propina para viabilizar negócios no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social) — e disse que é de ficar indignado que se dê crédito para alguém que já respondeu por crimes diversos.

Epa! A ficha criminal de Quícoli é ao menos conhecida. A de Dilma foi trancada num cofre. Quem abriu as portas do palácio a alguém com aquela ficha? Certamente candidatos a ter uma folha corrida maior do que a dele, por crimes mais graves. E só para lembrar: Dilma não foi presa porque brincava com bonecas. Brincava com armas. Pertenceu a movimentos terroristas que mataram inocentes. A hipocrisia brasileira, inclusive de setores da imprensa, poupa-a de sua história,  relevando só a heroína torturada — e é um absurdo que o tenha sido. Mas essa ferida o país curou, mandando torturadores para a lata do lixo moral. Ficamos com a indecência da glorificação do terror.

Chegou a hora da absoluta clareza com essa gente. Não, senhor Dutra! Quem gostava de ditadura é a sua candidata, que tem uma ficha criminal que inspira mais cuidados do que a de Quícoli. A razão é simples: ela pode ser presidente da República, ele não.

Algum petralha vê falha lógica aí? Não adiante me xingar. Isso, qualquer vagabundo faz. O meu desafio é que me contestem, Dutra inclusive. Mas ele não pode. Porque sua língua é solta para ofender, mas presa para argumentar. Aguardo contestação, vamos lá:
– provem que o PT construiu a democracia mais do que o PSDB ou outros oposicionistas à época;
– provem que Dilma sempre quis democracia;
– evidenciem que sua ficha criminal a habilita como notável democrata;
– neguem que ela tenha participado de movimentos que mataram inocentes e que tentaram infundir o pânico na sociedade como estratégia de luta política – eu chamo isso de terrorismo.

O PT poderia ganhar a eleição com 99,9999% (eu seria essa coisinha qualquer que faltaria pra os 100%), e o que escrevo aqui não seria menos verdadeiro.

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