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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Sejamos gratos ao Sindicato dos Censores. Ou: Aos jovens jornalistas

Nós — os que defendemos a liberdade de imprensa, os que defendemos a liberdade de expressão, os que somos contra a censura — devemos ser gratos ao Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e àqueles dinossauros que promoveram aquela manifestação chinfrim contra a liberdade de imprensa. O que se deu ontem serve como uma clara […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 14h08 - Publicado em 24 set 2010, 19h04

Nós — os que defendemos a liberdade de imprensa, os que defendemos a liberdade de expressão, os que somos contra a censura — devemos ser gratos ao Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e àqueles dinossauros que promoveram aquela manifestação chinfrim contra a liberdade de imprensa.

O que se deu ontem serve como uma clara advertência aos jovens jornalistas, alguns deles, em razão da bobajada que ouvem nas faculdades, tendentes a achar que, de fato, existe uma grande conspiração da tal “mídia” contra os “interesses populares” — vocês sabem: os interesses populares do PT e de seus banqueiros e industriais amestrados.

No debate de ontem, no Clube Militar, ao abordar a fala de José Dirceu a sindicalistas, segundo a qual a “mídia” se juntou ao poder econômico, lembrei de reunião recente de Antonio Palocci com potentados dos bancos e da indústria. Todos muito encantados com o ex-ministro. Será que ele teve acesso ao sigilo bancário de alguém ali? Adiante.

Palocci recomendou aos patriotas presentes voto no mensaleiro João Paulo Cunha. Ao fim da reunião, obedientes, os empresários foram perguntar qual era o número deste verdadeiro professor de educação moral e cívica.

Não é possível que a meninada que ingressa no jornalismo agora ou que tem alguns poucos anos de profissão não consiga juntar “lé com lé, cré com cré”.

–  Quem está com o “poder econômico”?
– Quem está alinhado com a censura?
– Quem, nessa “batalha”, está defendendo os próprios interesses? Os que trabalham nas empresas privadas de comunicação ou os assalariados de Franklin Martins?

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O que se viu ontem teve um efeito didático, quem sabe pedagógico. A partir de agora, a moça e o moço que derem trela a essa gente sabem muito bem o que estão fazendo e com quem estão lidando. Vão escolher: ou são senhores de si, pouco importam suas afinidades eletivas, ou escolhem ter para sempre o nariz marrom.

E noto que não se trata de nenhum maniqueísmo: o “Bem” de um lado e o “Mal” de outro. As coisas são assim na cachola daquela gente perturbada. Não! Trata-se da liberdade de pensamento de um lado e do cabresto do outro.

As pessoas presentes ontem ao Clube Militar viram que Merval Pereira e eu divergimos em algumas coisas — o Ficha Limpa, por exemplo. Considero a lei inconstitucional, ele não. E concordamos em divergir.

Do lado de fora, a Juventude Socialista, fazendo eco ao coro dos censores que se reuniam em São Paulo,  protestava. Divergências para eles não têm a menor importância. Ou você está com eles ou tem de ir para o paredão moral.

As moças e os moços podem escolher o pensamento livre — e, pois, o confronto de idéias que torna o mundo melhor — ou o consenso, orientado por uma ideologia, que faz as ditaduras.

Assim, os que defendemos a liberdade devemos ser gratos ao Sindicato dos Jornalistas Censores. Deram uma lição inestimável aos jovens. Aprender com ela, agora, é uma escolha.

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