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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Sai pra lá, urucubaca! Ou: O ódio inútil dos fanáticos e o ódio remunerado dos pilantras

Reproduzi na manha desta terça dois textos, que fundi num só (porque, na verdade, um era continuação do outro), de autoria de Olavo de Carvalho. Tratam da psicologia do “fanático”. Olavo expõe ali os caminhos por onde transitam o ódio, a intolerância e a truculência. Sei que acaba sendo irresistível — embora eu tenha pedido, […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 05h20 - Publicado em 24 set 2013, 22h01

Reproduzi na manha desta terça dois textos, que fundi num só (porque, na verdade, um era continuação do outro), de autoria de Olavo de Carvalho. Tratam da psicologia do “fanático”. Olavo expõe ali os caminhos por onde transitam o ódio, a intolerância e a truculência.

Sei que acaba sendo irresistível — embora eu tenha pedido, também na manhã desta terça, que vocês cuidassem de outros assuntos: leitores me enviam algumas reações vindas lá do mundo das sombras sobre a minha participação no programa “Roda Viva” (o vídeo está nesta página). Não há expressão do sórdido, de A a Z, que não tenha sido regurgitada pelos fanáticos. Alguma oposição às perguntas que fiz? Algum erro apontado? Alguma inconveniência? Alguma grosseria com o entrevistado ou com meus colegas de bancada? Nada! Só o ódio e a certeza de que, por alguma razão, eu não poderia estar ali. Só o inconformismo violento com o fato de eu não pensar o que eles pensam.

“Ah, ele é tucano!” Sou, é? Perguntem aos tucanos. Mas ainda que fosse… Alguém indagou, agora ou antes, se outros eram ou são petistas? Não! Porque isso, para eles, seria muito natural. Outro diz: “Se fosse na TV Brasil…”. Existe pensamento divergente na TV Brasil? Mais de uma vez vi o governo de São Paulo receber críticas pesadas no Roda Viva. Não consta que o mesmo se dê na emissora federal em relação ao governo idem.

É o ódio pelo ódio. Outros querem ainda que eu não poderia estar lá porque Augusto Nunes, que comanda o programa, a exemplo deste escriba, está na VEJA.com. Sei. Nunca se impôs restrição a profissionais da Folha quando o mediador era Matinas Suzuki ou da piauí quando aos cuidados de Mário Sérgio Conti. E era o certo. E é o certo. Ou deveria haver uma restrição só para o Reinaldo aqui?

Ninguém, para não variar, definiu com tanta clareza a alma dessa gente como Olavo. Reproduzo um trecho do post desta manhã (em azul):
O que o fanático nega aos demais seres humanos é o direito de definir-se nos seus próprios termos, de explicar-se segundo suas próprias categorias. Só valem os termos dele, as categorias do pensamento partidário. Para ele, em suma, você não existe como indivíduo real e independente. Só existe como tipo: ‘amigo’ ou ‘inimigo’. Uma vez definido como ‘inimigo’, você se torna, para todos os fins, idêntico e indiscernível de todos os demais ‘inimigos’, por mais estranhos e repelentes que você próprio os julgue.

Nota cômica
No meio da tragédia moral que essa gente representa, há uma nota cômica. Fiz uma breve caricatura de algumas páginas que abrem suas respectivas áreas de comentários para o “malha-Reinaldo” (além, claro, do malha-Augusto, malha-Constantino, malha-tudo-o-que-se-move-e-não-é-a-gente). Não só abrem como estimulam o pega-e-esfola. Gente de quem nunca ouvi falar, cuja existência desconhecia, que não tem importância nem lá na esgotosfera, se apresentou: “O Reinaldo está falando de mim…”? Eu??? Há cabeças para as quais até a carapuça da indignidade é grande demais!

Podem babar! Se e quando o Roda Viva me convidar, se e quando eu decidir que devo ir, vou. E tratarei o entrevistado e meus colegas de bancada com o respeito que a condição lhes confere, independentemente do meu juízo pessoal sobre este ou aquele.

Concluo, e não haveria modo melhor, meu post com outro trecho de Olavo:
“Eric Voegelin, quando jovem, não era a favor nem contra o racismo. Era a favor da ciência histórica. Estudou a história da ideologia racista e, tendo concluído que não tinha nada a ver com a realidade biológica das raças, publicou essa conclusão num livro. Mas, para os nazistas, a ciência histórica não era um critério autônomo admissível. A história tinha de ser a favor do partido ou contra ele. No dia seguinte, a Gestapo estava no encalço de Eric Voegelin. Boris Pasternak não era a favor nem contra o socialismo. Era a favor da boa poesia lírica, da expressão genuína dos sentimentos humanos. Mas, para o fanático socialista, isso não vale como critério autônomo. A poesia lírica, se não serve ao socialismo, serve aos inimigos do socialismo. Pasternak foi condenado à prisão como inimigo do Estado soviético.”

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