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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Roubalheira no Ministério do Trabalho – Dilma deveria pedir ajuda à NSA, a agência de espionagem americana. Seria uma bênção para os brasileiros!

Em vez de ficar fazendo firula com essa história da NSA, a agência de segurança dos EUA que realiza espionagem, Dilma deveria firmar com ela um convênio. Lembro, o que está sendo esquecido pelo noticiário, que governo brasileiro é, à falta de melhor palavra, cliente da NSA. Como informou Thomas Shannon, ex-embaixador dos EUA no […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 31 jul 2020, 05h25 - Publicado em 10 set 2013, 18h00

Em vez de ficar fazendo firula com essa história da NSA, a agência de segurança dos EUA que realiza espionagem, Dilma deveria firmar com ela um convênio. Lembro, o que está sendo esquecido pelo noticiário, que governo brasileiro é, à falta de melhor palavra, cliente da NSA. Como informou Thomas Shannon, ex-embaixador dos EUA no Brasil em entrevista à VEJA, a área de Inteligência (tá rindo de quê, ô incréu?) no Brasil recebe informações coletadas pelo serviço americano. Quais? Ninguém pode revelar. Pois é… Eu estou aqui a defender que Dilma amplie essa colaboração. Se a NSA passasse a atuar dentro do governo mesmo, poderia ser uma bênção. Imaginem quanto ladrão seria pego com a boca na botija, né?

Por que isso?

Uma gangue — esse é o nome — foi descoberta operando dentro do Ministério do Trabalho. A Polícia Federal estima que o conjunto das fraudes possa alcançar R$ 400 milhões. Digamos que seja a metade disso, um quarto, um décimo… E já será uma dinheirama fabulosa. Como isso é possível? Tome-se o caso de Anderson Brito, assessor do ministro do Trabalho, Manoel Dias. O sujeito já tinha sido demitido da pasta sob suspeita de corrupção na gestão de Brizola Neto. Foi readmitido quando houve a troca de guarda. Isso significa que o excesso de moralidade deu lugar ao laxismo? Não! isso está a indicar que a pasta se tornou um palco de disputa de, como poderia chamar?, “organizações criminosas” talvez…

Existe uma Abin no Brasil. Existe a Controladoria-Geral da União. Existe a rede de informações da Casa Civil, em razão da capilaridade do órgão. Existe (ou deveria existir) a burocracia estável do próprio Ministério do Trabalho… Ninguém, santo Deus!, ninguém é capaz de ao menos avaliar a ficha dos indicados? Não estou querendo fazer do assessor um bode expiatório, mas ele se torna emblema da bagunça. Isso significa que o sujeito entrou na pasta, saiu dela e entrou de novo sem nenhuma verificação. Garanto que se pede atestado de bons antecedentes para ser ascensorista de qualquer órgão federal, inclusive do Ministério do Trabalho. Para transportar bandidos entre um andar e outro, o indivíduo precisa provar que é um homem de bem.

NSA neles, soberana! Como podemos perceber, não há mal nenhum que os americanos possam nos fazer que nós, com a nossa criatividade, o nosso jeito de ser, o nosso charme, o nosso veneno, não possamos fazer por conta própria, não é mesmo?

Sim, haverá alguns semoventes que tomarão a sério a minha sugestão. O que estou a fazer é a exposição da bagunça em que se transformou a alta administração no Brasil, resultado, em parte, do loteamento de cargos para manter a tal base de apoio. Essa é uma herança do lulismo. Determinados setores do governo são entregues, como se diz, de porteira fechada, e os que recebem o feudo fazem o que bem entendem. “Ah, mas olhe lá, a PF tomou as devidas precauções…”.

Pois é… Esse é outro recorde de que os petistas estupidamente se orgulham: “Nunca houve tantas ações da PF como no nosso governo….”. Ainda que fosse verdade que o crescimento se deva à inação de antes, motivo de orgulho seria outro: tomar as devidas providências para que os ladrões não se apoderem de estruturas do estado. Até porque é evidente que, ainda que alguns sejam punidos — daqui a uns tantos anos —, o dinheiro que roubaram não voltará aos cofres públicos. Ainda que se confiscassem todos os bens dos envolvidos, é de supor que larápio não dê sopa. O dinheiro roubado já foi, de algum modo, lavado. Sumiu pelo ralo.

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