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Relações promíscuas no passado estão na raiz do ódio

A relação do PT com a imprensa, depois da eleição de Lula, nunca foi muito tranqüila. Por quê? Quando líder da oposição, o agora presidente chamava os jornalistas de “companheiros”. A maior parte dos profissionais, é verdade, não se dava conta do que parecia um alinhamento muito natural: o do jornalismo com aquele partido que […]

A relação do PT com a imprensa, depois da eleição de Lula, nunca foi muito tranqüila. Por quê? Quando líder da oposição, o agora presidente chamava os jornalistas de “companheiros”. A maior parte dos profissionais, é verdade, não se dava conta do que parecia um alinhamento muito natural: o do jornalismo com aquele partido que dizia querer “ética na política”.

Na Câmara e no Senado, nos anos 90, repórteres almoçavam com parlamentares petistas nos refeitórios do Congresso. Não era trabalho, mas amizade. Deputados e senadores eram chamados de “você”, pelo prenome. Trocavam-se impressões, piadas, livros, até presentinhos no fim do ano. Quanto amigo “vermelho” secreto se fez nos fins de ano!

Tratava-se, enfim, de uma comunidade. Todos esperavam a hora da chegada ao poder da turma da “ética na política”. Atuava-se, no mais das vezes, para fazer essa hora acontecer. Como? Os gabinetes petistas se transformavam em verdadeiros guichês da quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico, de investigações, tudo. A vida dos opositores do PT era um inferno.

E aquele conúbio parecia muito normal. E só para que vocês não tenham ilusões: ainda hoje, alguns “jornalistas” se comportam como verdadeiras “matronas” (se é que me entendem…) dessa promiscuidade, facilitando a “convivência” entre imprensa e “otoridades” do PT, agora “otoridades” do governo. Não por acaso, nesses convescotes fora do horário de expediente, há poucos repórteres e muitos “analistas” e “colunistas”, entendem?, cuja “competência” consiste em exibir a máxima proximidade possível com “fontes quentes”, aquelas que informam as “últimas” do governo. A sala deveria ser enfeitada por um São Jorge, daqueles que havia na Casa da Eni.

Com a eleição de Lula, muitos jornalistas continuaram fiéis à sua profissão: vigiar o poder. Ainda que continuasse aquela velha amizade, seu trabalho consiste em noticiar o que é notícia — e isso nem sempre agrada aos poderosos. E que se note: um certo estranhamento entre a imprensa e as autoridades é comum, sempre houve; mais do que isso: é até desejável que seja assim. Desde a redemocratização do país, no entanto, nenhum outro governo chamou a imprensa de golpista ou molhou a mão de vagabundos que o fazem.

O PT promove o mensalão? Noticiá-lo é golpe!
O PT mobiliza os aloprados? Noticiá-lo é golpe!
O PT viola sigilos? Noticiá-lo é golpe!
O PT transforma a Casa Civil num balcão? Noticiá-lo é golpe.

O que Lula e o PT querem do jornalismo? Aquele mesmo comportamento  — JÁ ERRADÍSSIMO — dos tempos supostamente românticos da oposição. Quem se nega a participar da patuscada é, então, golpista.

E o mais curioso é que, com raras exceções, a imprensa se acovardou, sim, fazendo um esforço brutal para provar ao PT, que se fez seu juiz, que ela não é golpista, não! Resultado: o partido, e Lula em particular, foi ficando a cada dia mais pidão e mais agressivo. Autoritários nunca estão contentes; um pouco de sujeição do outro só lhes assanha a sede por mais sujeição.

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