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Que os policiais que mataram indevidamente sejam punidos. Para que se possa honrar uma PM que salva milhares de vidas. Ou: O dia em que O Globo e o Estadão deram trela a uma mentira asquerosa

A Polícia Militar de São Paulo, percebe-se no noticiário, foi parar no banco dos réus. Trata-se de um julgamento absolutamente despropositado. Têm de ser punidos, estes sim, os soldados que não puseram em prática aquilo que aprenderam. A força reúne quase 100 mil homens. Abusos, erros de operação, decisões estúpidas, temos de lamentar, ocorrem no […]

A Polícia Militar de São Paulo, percebe-se no noticiário, foi parar no banco dos réus. Trata-se de um julgamento absolutamente despropositado. Têm de ser punidos, estes sim, os soldados que não puseram em prática aquilo que aprenderam. A força reúne quase 100 mil homens. Abusos, erros de operação, decisões estúpidas, temos de lamentar, ocorrem no mundo inteiro. Não estou livrando a cara de ninguém, não! Muito pelo contrário: a melhor maneira que a PM tem de preservar a instituição e de fazer o elogio da esmagadora maioria que trabalha direito é punindo os que não trabalham. Familiares e amigos dos mortos estão revoltados, e isso é compreensível. Mas a afirmação da mãe de um deles, segundo quem “hoje temos medo da polícia”, não procede. Ao contrário: a esmagadora maioria das pessoas, especialmente as mais pobres, quer é mais polícia. E uma polícia que as proteja dos bandidos e assegure seus direitos.

É claro que os desdobramentos da ação são inaceitáveis. Também o são para a instituição “Polícia Militar”. Tanto é assim que os policiais estão presos. Ainda que, resta evidente, num caso e noutro, tenha havido resistência à abordagem policial e tentativa de fuga, a violência é injustificada. Resta saber se ela é exceção ou regra; resta saber se estamos falando de uma PM que se caracteriza por matar inocentes ou de uma instituição que, regra geral, faz seu trabalho com eficiência.

Os dados tornados públicos do Mapa da Violência são bastante eloquentes. A Polícia Militar de São Paulo está entre as mais eficientes do país, ainda que enfrente um verdadeiro movimento organizado de difamação. Ao longo de 12 anos, o estado reduziu em mais de 80% o número de homicídios. Em São Paulo estão mais de 40% dos presos do país, embora reúna apenas 22% da população. Há quem queira que essa polícia prende demais — na TV, um grupo faz uma campanha por uma nova política de combate às drogas. O objetivo é evitar a prisão do que chamam “pequeno traficante”. Não me estenderei sobre o assunto agora. A minha tese é outra: acho que o fato de São Paulo prender mais do que outros estados explica a fantástica redução de homicídios verificada ao longo dos anos.

Mas o movimento de difamação, reitero, é organizado. O Estadão, que acerta quase sempre nos editoriais — publica três por dia —, deu curso, ontem, a um escandalosa bobagem dita por uma rapaz de pensamento buliçoso, verdadeiro bibelô do cretinismo politicamente correto. Seu nome: Pedro Abramovay, muito apreciado por petistas e também por alguns tucanos (claro, claro…). Ele já foi Secretário Nacional de Justiça e tem fama de menino-prodígio. Para ser um adulto prodigioso, terá de ser dono de uma fala responsável, o que não é.

Dilma o chutou da secretaria porque ele passou a defender que os ditos “pequenos traficantes” não fossem presos (estará por trás daquela campanha? Verei depois). O que é um “pequeno traficante”? Perguntem a ele. Por que um pequeno não se tornará grande um dia? Vai saber… Adiante. O jornal O Globo resolveu ouvir alguns ditos especialistas — Abramovay entre eles — sobre um flagelo brasileiro: o número brutal de jovens assassinados no Brasil.

Muito bem! Na cidade de São Paulo, houve uma queda de 85,2% das ocorrências dessa natureza entre 2000 e 2010, enquanto o número explodiu em alguns estados. Aplausos para a segurança pública de São Paulo? Não!!! Segundo Abramovay, isso se deve ao que chamou “pax mafiosa”. Segundo esse grande pensador, a boa notícia é obra do… PCC!! Como não tem concorrência no crime organizado, ninguém disputa seu território. E o Estadão com isso? Num editorial que entrará para história das maiores infelicidades publicadas naquela página 3, o jornal abraça a tese e lhe confere ares de verdade inquestionável.

Pois bem! Faço aqui um desafio Abramovay: que apresente os dados de sua pesquisa e como os conseguiu. Quero saber em quais elementos objetivos a sua tese se sustenta. Ele não vai apresentar porcaria nenhuma porque isso não passa de chute, preconceito e, lamento, MENTIRA! Essa é apenas uma velha tese do petismo — e de esquerdismos ainda mais vagabundos — para explicar os números virtuosos da segurança pública em São Paulo sem reconhecer o mérito da polícia e do governo. Até porque se tem uma queda consistente e contínua, reitero, há 12 anos, quando nem se falava ainda de PCC, muito menos de seu suposto poder de decretar a “pax”.

O sr. Abramovay não sabe o que fala por uma razão muito simples: ELE NÃO É UM PESQUISADOR!  É SÓ UM MAU IDEÓLOGO, o que é coisa muito diferente. Ora, ele pode me desmoralizar exibindo os seus números incontestáveis, certo? Talvez os tenha exibido ao Globo e ao Estadão, o que convenceu os dois jornais… Quais são as suas fontes?  Ele pode ser irresponsável o quanto quiser. Já a imprensa que lhe dá trela… Fato: se o número de mortos por 100 mil do Brasil fosse o de São Paulo, em vez de 50 mil homicídios por ano, haveria pouco mais de 20 mil. Trinta mil vidas seriam poupadas. A ser assim, o PCC ainda acaba candidato ao Prêmio Nobel da Paz!

Com a devida delicadeza, até porque gosto do jornal e o considero o melhor do país hoje, sugiro ao Globo que, antes de ouvir Abramovay (E SEM COBRAR DELE COMO CHEGOU ÀQUELA CONCLUSÃO), leia um jornal chamado… O Globo! No dia 12 de janeiro, podia-se ler em suas páginas o seguinte texto de Guilherme Voitch (em azul):

Estados brasileiros que prenderam mais registraram menos homicídios. Levantamento feito pelo GLOBO com base nos dados do Sistema Nacional de Informação Penitenciária (InfoPen) do Ministério da Justiça e do Mapa da Violência 2012, do Instituto Sangari, revela que as unidades da Federação em que há menos presos por homicídio do que a média nacional viram, na década passada, a taxa de assassinatos aumentar 16 vezes mais em comparação aos estados com população carcerária maior.

Em 12 estados do grupo que tem menos presos houve aumento no número de assassinatos, incluindo a Bahia, que teve uma explosão no índice de homicídios, passando de 9,4 por 100 mil habitantes para 37,7 por 100 mil habitantes entre 2000 e 2010. Alagoas, o estado mais violento do Brasil, também tem menos presos pelo crime do que a média nacional. Lá, em dez anos, o índice de assassinatos subiu de 25,6 para 66,8 por 100 mil habitantes.

A única exceção no quadro é o Rio de Janeiro. Segundo os dados do InfoPen, o estado tem o menor número de presos por assassinatos do Brasil e, ainda assim, conseguiu reduzir o número de homicídios de 51 para 26,2 por 100 mil habitantes. Na outra ponta, em cinco dos 14 estados com mais presos (Mato Grosso, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Roraima e Pernambuco, além do Distrito Federal) houve queda nas taxas de assassinatos. O estado que mais reduziu o crime é São Paulo. Passou de 42,2 para 13,9 homicídios por 100 mi habitantes. Em outros dois (Rondônia e Acre), os indicadores mantiveram-se estáveis.

A taxa de detentos cumprindo pena por homicídios simples, qualificado e latrocínio no Brasil é de 36,9 presos por 100 mil habitantes. Em 13 estados as populações carcerárias de homicidas estão abaixo desse total. Na média, os assassinatos nesses estados cresceram 62,9% na década passada ante 3,8% dos 14 estados que têm mais detentos.
(…)

Retomo
Não é mesmo impressionante que o fato de haver mais bandidos dentro da cadeia implique menos homicídios, já que há, por suposto, menos bandidos fora dela? Que coisa espantosa, não? Mas Abramovay está no grupo de “pensadores” que não gostam dessa relação, sabem? Afinal, são números que contrariam as suas convicções. Então ele prefere fazer a sua acusação leviana, irresponsável. E a imprensa lhe dá trela porque ele é um rapaz muito bem relacionado. Tem mais amigos influentes do que ideias que se sustentam. Trata-se de uma verdadeira celebridade do politicamente correto. Ainda vai ser convidado a posar com um Michel Foucault na mão, como se fosse uma taça de champanhe de “Caras”.

A bancada tucana na Assembleia Legislativa deveria convocá-lo a se explicar. Em vez de ficar contando suas lorotas por aí, apresentaria aos parlamentares as suas evidências. Mas suponho que ele não tenha nada a dizer: trata-se apenas de uma opinião que pretende desmerecer a Polícia de São Paulo e sua política de segurança pública. Insisto: estou interessado em seus dados. Eu o convido a contar como chegou àquela conclusão. Mas acho que ele não vai topar.

Encerrando
A capital de São Paulo é aquela em que menos se mata hoje no país por 100 mil habitantes. O Estado está em antepenúltimo lugar. Há 12 anos, disputavam as primeiras posições no ranking. Há problemas? Há, sim! As duas ocorrências trágicas dos últimos dias indicam que há muito a fazer, muito a corrigir. Os policiais que mataram na ação desastrada têm de ser punidos. Para que se possa aplaudir uma polícia que, no mais das vezes, salva vidas, ainda que os Abramovays acreditem que é companheiro Marcola quem nos protege…

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