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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Quando Kadafi se for, falar com quem?

Só um milagre, realizado num mar de sangue, seguraria Muamar Kadafi no poder. O mundo já o trata como o ex-governante da Líbia. Sua brutal reação aos protestos apressa o seu fim. O que a “revolução” dos diversos países árabes tem em comum? A luta contra autocracias. Aí cada país tem a sua própria agenda. […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 20 fev 2017, 17h43 - Publicado em 25 fev 2011, 18h15

Só um milagre, realizado num mar de sangue, seguraria Muamar Kadafi no poder. O mundo já o trata como o ex-governante da Líbia. Sua brutal reação aos protestos apressa o seu fim. O que a “revolução” dos diversos países árabes tem em comum? A luta contra autocracias. Aí cada país tem a sua própria agenda. Há outro traço a unir os povos em revolta: todas as ditaduras que estão em apuros são consideradas aliadas do Ocidente na luta contra o terror — até Kadafi, o terrorista “convertido”, estava nessa. Por alguma razão, as populações da Síria ou dos territórios palestinos parecem contentes com suas respectivas tiranias.

A Líbia é um agrupamento de cidades separadas por vastas solidões. Não é de hoje, abriga celerados dos mais diversos matizes. À diferença do Egito, não conta com um Exército que possa garantir, em princípio, a unidade do país ou alguma centralidade a um governo. Quem tomará conta do boteco?

Tentando se segurar no poder e, quem sabe, mandar alguma mensagem a seus “aliados” do Ocidente, Kadafi acusou a Al Qaeda de estar por trás da rebelião. Alguém acredita no que ele diz? Nem é o caso de fazer especulações a respeito. Mas uma coisa, no entanto, é certa como a luz do dia: uma Líbia sem governo se transformará num verdadeiro campo de treinamento para a rede terrorista. A ditadura iemenita, em território muito menor e com população menos diversa, não conseguiu dar conta dos jihadistas.

Assim que Kadafi deixar a Líbia — que amigo seu o abrigaria? Chávez? Raúl Castro? Daniel Ortega? —, com quem dialogar na hora do famoso “Leve-me a seu líder”?

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