Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia
Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

PSDB: O que começa errado vai se alimentando do erro para que os errados continuem ainda mais convictos

Não adianta! O que começa errado vai se alimentando do erro para que os errados continuem ainda mais convictos. Há, no PSDB, os que estão descontentes com a antecipação da campanha eleitoral, minueto que os lulistas e os tucanos decidiram dançar. Os jornalistas caracterizam esses descontentes como “aliados de Serra”… Ah, bom! Se são aliados […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 06h47 - Publicado em 27 fev 2013, 08h17

Não adianta! O que começa errado vai se alimentando do erro para que os errados continuem ainda mais convictos. Há, no PSDB, os que estão descontentes com a antecipação da campanha eleitoral, minueto que os lulistas e os tucanos decidiram dançar. Os jornalistas caracterizam esses descontentes como “aliados de Serra”… Ah, bom! Se são aliados de Serra, então é isso mesmo o que se espera deles? Setores do partido — jornalistas nunca fazem essas coisas sozinhos — continuam a ver virtudes nesse negócio de “Serra X Aécio”. Os tucanos sempre foram excelentes na intriga interna. Combater o adversário é que tem sido mais difícil.

Poucos se dão conta de que há situações verdadeiramente surrealistas em curso no PSDB. Leio no Estadão que já está tudo decidido: o partido decidiu antecipar do dia 25 para o dia 19 de maio a convenção que vai, segundo o jornal, escolher Aécio Neves presidente do partido. Assim os tucanos poderão usar imagens da convenção no programa eleitoral do partido, que vai ao ar no fim de maio.

Lê-se o noticiário e se verifica que isso tudo foi decidido, por exemplo, sem a participação ativa do novo líder do partido no Senado, Aloysio Nunes (SP). O líder anterior, reconhecido por amplas camadas do eleitorado oposicionista como um “autêntico” (e por bons motivos), Álvaro Dias (PR), foi completamente alijado das instâncias decisórias do partido. O próprio governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse, não faz tempo, que considerava precipitado tratar do assunto agora. E daí? Por que alguém daria bola a um Álvaro Dias ou a tucanos de São Paulo, estado governado pelo PSDB há 18 anos — 20 em 2014?

O avô de Aécio, Tancredo Neves, dizia que reuniões serviam apenas para referendar o  que já tinha sido combinado ao pé do ouvido, em conversas de coxia. O PSDB está esquecendo de fazer as devidas combinações. E, desta feita, FHC está colaborando para o atropelo. Lula jamais o esqueceu, mas me parece que ele também anda com certa vontade de emular com aquele que se quer o seu antípoda. Tudo caminha, e isso é óbvio, para que Aécio seja o candidato, a menos que ele não queira. Mas será mesmo esse o melhor procedimento para referendar o que já está certo? Mais: é uma boa ideia conciliar a presidência do partido com a condição de candidato oficioso?

Num momento em que os tucanos — e as oposições — precisam reunir forças, e isso é mais do que um clichê, há um risco razoável de revoada de algumas lideranças. Sinceramente, torço para que não aconteça porque não existe democracia de partido único. O que não parece razoável é que nove anos de quase letargia resultem agora num atropelo buliçoso, que mais divide do que soma. Quem viver verá.

Continua após a publicidade
Publicidade