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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Professor que “ensina cidadania” é só um vagabundo de partido disfarçado de amigo da humanidade

Ainda sobre o Movimento Passe Livre, mas com camiseta da Hollister, o Jefferson me envia o que segue. Vou poupá-lo de si mesmo, como recomenda o Corão — comecem a estudar o livro, viu? Será cada vez mais útil… —, e omitir o sobrenome. Leiam: Não concordo com a reivindicação de que a passagem do […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 20 fev 2017, 17h46 - Publicado em 24 fev 2011, 16h06

Ainda sobre o Movimento Passe Livre, mas com camiseta da Hollister, o Jefferson me envia o que segue. Vou poupá-lo de si mesmo, como recomenda o Corão — comecem a estudar o livro, viu? Será cada vez mais útil… —, e omitir o sobrenome. Leiam:

Não concordo com a reivindicação de que a passagem do transporte publico deveria ser gratuita, mesmo sendo estudante universitário e utilizando deste transporte. Acredito, sim, em um valor justo, o que não é a realidade que temos.
Apesar desde posicionamento, discordo categoricamente do senhor. Seu discurso é elitista, me enoja. Utilizar de um meio de comunicação tão forte para desacreditar os movimentos sociais é uma vergonha. E não pense que sou “daquela terra-de-ninguém chamada ‘área de humanas’”, não use deste argumento estúpido para desvalorizar minha opinião ou de qualquer outra pessoa. Sou engenheiro, curso mestrado em engenharia, mas tenho censo crítico, sei no que acredito. Quando o senhor diz “Professores de história, geografia, filosofia etc são pagos para ensinar história, geografia e filosofia” eu me pergunto: e cidadania, onde se aprende? O senhor deveria ter vergonha de escrever algo tão ignorante.

Atenciosamente,
Jefferson J.R.

Comento
Sei… O Jefferson diz que meu comentário o “enoja” — gosta de palavras fortes o moço —, mas se despede “atenciosamente”. Seu tom fica entre o petismo de calçada e a vocação relatorial. Embora suposto mestrando em engenharia, ele se ofendeu com a expressão “terra-de-ninguém da chamada ‘área de humanas”. Ok. O mundo está cheio de “advogados putativos” — há até quem queira botar fogo na cidade em defesa de ônibus mais baratos mesmo sem usar o serviço…

Ele acha que o fato de eu criticar um falso movimento social, que arregimenta “os revolucionários da Diesel”, expressa meu desamor pelos “movimentos sociais”. Não que eles excitem muito a minha imaginação, é fato… No dia em que o PT desaparelhar os movimentos, levem-me ao chefe deles que eu quero saber quem é… Mas volto ao Jefferson.

Ele tem uma angústia. Quer saber “quem ensina cidadania”. Ora, Jefferson, ninguém! Essa disciplina não consta da grade curricular. Você é seu professor de cidadania, rapaz, com a soma, multiplicação e síntese de tudo o que vai aprendendo pela vida. Até a minha musa, a Laura Capriglione, pode ajujdar… Professor que “ensina cidadania” é só um vagabundo disfarçado de amigo da humanidade. É preferível pedir para decorar a altura do Pico do Aconcagua e os afluentes das margens direita e esquerda do Amazonas. Aliás, eu ainda sei todos de cor…

E poderia encerrar este post, Jefferson, mas continuo curioso: “CENSO crítico” deve ser este que faz o IBGE, não é mesmo? Você certamente tentou escrever  “senso”. É claro que a sua opinião não é ruim por isso. Eu só o alerto para o fato de que, mesmo para um engenheiro, a ortografia não é uma disposição subjetiva, como não é a quantidade de concreto e ferro que se deve usar numa ponte. Uma obra da engenharia muito intimista ou idiossincrática corre o risco de cair, né?

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Ah, sim: você se diz favorável a  “um valor justo” para os ônibus. Quer saber, Jefferson? Eu também sou! Hoje, ela custa R$ 3,27, não 3,0. Eu sou favorável a que todos paguem o valor justo. E os R$ 800 milhões anuais de subsídio devem ser usados na melhoria da infra-estrutura do setor. Em cinco anos, teríamos R$ 5 bilhões a mais em investimentos, e eu posso garantir que os transportes melhorariam para todos, o que acabaria levando à queda do preço.

A desgraça do subsídio é justamente esta, Jefferson: é caro e concorre para a ineficiência. Mas isso os “professores de cidadania” não dizem porque a) não sabem fazer conta; b) ignoram o funcionamento da economia; c) estão apenas praticando vagabundagem partidária.

Fui claro, Jefferson?

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