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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Petrobras – O debate estúpido sobre suspensão de licitação. Ou: Um especialista em petróleo afirma o que escrevi aqui de manhã. Não sou especialista em nada; sou só um amante da lógica e dos fatos

Eu não entendo nada de petróleo. Mas entendo um pouco de lógica. O suficiente para não acreditar em certas tolices e não cair em mistificações. Eu não entendo nada espionagem, mas idem, idem. Eu não entendo quase nada daquela conversa ultraespecializada que cruza informatiquês com arapongagem internacional, mas idem, idem outra vez. Na manhã de […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 31 jul 2020, 05h26 - Publicado em 9 set 2013, 20h44

Eu não entendo nada de petróleo. Mas entendo um pouco de lógica. O suficiente para não acreditar em certas tolices e não cair em mistificações. Eu não entendo nada espionagem, mas idem, idem. Eu não entendo quase nada daquela conversa ultraespecializada que cruza informatiquês com arapongagem internacional, mas idem, idem outra vez.

Na manhã de hoje, escrevi um post em que demonstrei que essa história de espionagem da Petrobras era um óbvio exagero e que a suposição de que os interesses estivessem voltados para o pré-sal não passavam de especulação. Leio agora que estão querendo suspender o leilão do campo de exploração de Libra… Pois é! É nisso que dá o exagero e a exploração nacionalisteira, tosca mesmo, da questão. É nisso que dá ir muito além dos fatos, cavando invenções nas águas profundas da especulação.

Entre outras coisas, com base apenas na lógica dos fatos, afirmei aqui:
“É chato ficar fazendo certas observações aqui, em vez de levantar, pôr a mão no peito e cantar o Virundum… Mas o fato é que, tanto no caso de Dilma como no da Petrobras, não fica claro se houve mesmo a invasão ou que tipo de informação foi buscada. A reportagem do Fantástico está aqui. Na ausência de dados sobre a espionagem propriamente, recheia-se a reportagem com os números superlativos da Petrobras e o quanto ela pode despertar a cobiça internacional. Sem dúvida! Também se especula sobre a possibilidade de empresas terem tido acesso a informações sobre o pré-sal e coisa e tal. Bem, considerando a escolha que o Brasil faz para a exploração do petróleo nessas áreas, podemos ficar tranquilos, certo? O regime é de partilha mesmo, e não há como a gente ser enganado pelos sagazes estrangeiros. Mas é certo que isso vai mexer com os brios nacionalistas.”

Eu não entendo nada de petróleo. Só de lógica. Mas Adriano Pires entende muito. Ele é diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). E o que ele afirma? Isto:

“Ninguém sabe se houve o roubo de alguma informação. A reportagem mostrou que a agência teve acesso, mas não se sabe quando e o que foi feito com isso (…) “O governo já divulgou informações importantes, como a capacidade de produção de Libra (…) Essa história começa a ganhar certa dimensão que faz saírem do túmulo os nacionalistas retrógrados. Não faz sentido querer, com isso, fazer uma política para aumentar o monopólio da Petrobras (…) Reserva não vale nada, o que vale é produção”, completa, dizendo que o leilão dos campos do pré-sal são necessários para que nosso potencial de reserva tenha relevância. Daqui a pouco inventam outra tecnologia e nós ficaremos abraçados ao pré-sal.”

Ele diz ainda que o modelo adotado no leilão, que prevê que o petróleo extraído seja propriedade do estado, dificulta que as companhias obtenham vantagem ao ter acesso a informações restritas.

Encerro
É isso aí. Quando, em matéria de petróleo, o aparato lógico conduz ao mesmo lugar a que conduz um especialista na área, é o caso de se declarar, lá vou eu provocar um pouco, que o especialista está certíssimo.

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