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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Partidos custarão R$ 418 milhões para os cofres públicos em 2011. Ou: a cascata vigarista do financiamento público de campanha.

Vejam o que informa Daniel Bramatti no Estadão de hoje. Volto em seguida: Nas noites de 48 quintas-feiras do ano de 2011, líderes de 25 partidos vão ocupar redes nacionais de rádio e televisão para fazer propaganda de seus próprios feitos. Metade dessas legendas terá ainda direito a mais 40 aparições de 30 segundos em […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 31 jul 2020, 13h18 - Publicado em 20 dez 2010, 06h23

Vejam o que informa Daniel Bramatti no Estadão de hoje. Volto em seguida:

Nas noites de 48 quintas-feiras do ano de 2011, líderes de 25 partidos vão ocupar redes nacionais de rádio e televisão para fazer propaganda de seus próprios feitos. Metade dessas legendas terá ainda direito a mais 40 aparições de 30 segundos em todas as emissoras do País. Essas exibições custarão zero para os políticos e R$ 217 milhões para o conjunto dos contribuintes brasileiros. Outros R$ 201 milhões em recursos públicos serão destinados para o custeio de despesas de partidos com viagens, aluguel de imóveis e pagamento de funcionários, entre outras. No total, o financiamento público dos partidos – não confundir com o de campanhas, ainda um projeto em discussão – terá um impacto de R$ 418 milhões, o equivalente ao que o programa Bolsa-Família gasta, em média, para atender durante um ano a 430 mil famílias, ou mais de 1,6 milhão de pessoas. Aqui

Comento
Vai-se tentar debater uma reforma política no ano que vem. Uma das idéias que há CONTRA NÓS, OS BRASILEIROS, é instituir o financiamento público de campanha — como se a atividade dos partidos já não fosse paga por todos nós. Eis aí: em quatro anos,  custa UM BILHÃO, SEISCENTOS E SETENTA E DOIS MILHÕES! E querem mais?

“Ah, democracia custo caro mesmo!” É, custa, sim! E nós já pagamos o suficiente por isso. O argumento tolinho, ingênuo — ou malandro —, é que, se o Estado financiar também as campanhas eleitorais, os partidos não precisarão correr atrás da grana dos bancos, das grandes indústrias, o que diminuirá a corrupção etc. Não há um único motivo lógico para assegurar que o caixa dois será extinto se houver financiamento público. Ele pode até aumentar: muitos candidatos poderiam fazer seus “negócios” ao arrepio até de suas respectivas legendas.

Financiamento público? Ele já está aí, inclusive para partidos que só existem no papel. Dessa bolada, PT do B, PTC, PSL, PRTB, PRP, PSDC, PTN, PSTU, PCB e PCO levarão R$ 29,4 milhões. Na prática, temos um cartório para garantir a existência de legendas de aluguel. Algumas são verdadeiras empresas familiares, em que se candidatam o pai, a mãe, a filha, a avô, a tia…

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A democracia brasileira, sem dúvida, tem suas peculiaridades. Os sindicatos são financiados não pelos associados, mas por um Imposto Sindical, pago pela “categoria”, sejam os trabalhadores sindicalizados ou não. E a atividade partidária não é bancada pelos militantes, mas pelo Tesouro. Mesmo quando o partido não tem voto!!!  Segundo entendi, entrou nas contas do Estadão apenas o custo dos programas políticos, não dos eleitorais, outra fábula paga pelo conjunto dos brasileiros.

Sempre que alguém defender financiamento público, não tenha dúvida: é  uma tentativa de bater a sua carteira.

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