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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Para desaparecer com o Aparecido

Vocês conhecem, certamente, o poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade, certo? Lembro mesmo assim: João amava Teresa que amava Raimundoque amava Maria que amava Joaquim que amava Lilique não amava ninguém.João foi para o Estados Unidos, Teresa para oxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxconvento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. PintoXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXFernandesque […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 22 fev 2017, 22h42 - Publicado em 15 maio 2008, 07h57
Vocês conhecem, certamente, o poema “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade, certo? Lembro mesmo assim:

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxconvento,

Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXFernandes
que não tinha entrado na história.

Sigamos adiante.
José Aparecido Pires, o funcionário da Casa Civil que vazou o dossiê sobre o governo Fernando Henrique Cardoso, é da cota de José Dirceu. Tanto é assim, que o ex-ministro e deputado cassado já o defendeu em seu blog. Em Brasília, todos sabem que Aparecido é aquilo que se chama “petista histórico”. Ocorre que o homem disse a quem quisesse ouvir que não aceitaria ser bode expiatório. Em outras palavras: não cairia sozinho. E o petismo resolveu socorrê-lo.

E a ajuda partiu, vejam que coincidência, de José Antonio Toffoli, advogado-geral da União, que colaborou para que Luís Maximiliano Telesca, seu ex-sócio num escritório de advocacia, assumisse a causa. O causídico escolhido está entre os “caros”, aparentemente bem acima da modéstia de um servidor público.

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Ah, sim: além de advogado-geral da União, o que mais é Toffoli? Política também é memória. Ele foi subordinado de Dirceu na Casa Civil, o que quer dizer que dividia o mesmo teto com Aparecido. Tão logo foi nomeado para a AGU, já na primeira entrevista, disse nunca ter ouvido falar em mensalão. Não se sabe se já se curou da surdez. Antes, havia sido assessor das campanhas eleitorais de Lula — em 1998 e 2002 — e advogado eleitoral do PT. Também advogou para Luiz Gushiken naquele caso das cartilhas, lembram-se? Aquelas que ninguém nunca viu.

Na solenidade de despedida do ministro Sepulveda, Toffoli foi um dos oradores. Falou na qualidade de titular da Advocacia Geral da União — uma função de estado. Mesmo assim, referiu-se ao governo Lula como uma espécie de novo momento vivido pelo Brasil, como se experimentássemos uma nova aurora. Se a ministra Ellen Gracie tivesse ido para Haia, o homem era candidatíssimo — praticamente dado como certo — à sua cadeira no Supremo Tribunal Federal. A única dificuldade, dizem alguns, seria comprovar o seu notório saber jurídico. Em direito, há quem jure, parafraseando Dorothy Parker, que sua sabedoria percorre a gama de leis que vai de A a B.

De todo modo, Aparecido já está com advogado e pediu afastamento da Casa Civil, conforme queria o governo. Anotem aí: neste momento, são nulas as chances de ele dizer qualquer coisa que interesse à CPI. O grande manto do partido já o protege.

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