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Os ônibus e o escandaloso oportunismo de Haddad

Ainda não tenho claro qual aspecto da personalidade política do prefeito Fernando Haddad, do PT, é mais deletério para a cidade: sua espantosa incompetência, que o faz, até agora, colher sempre resultados contrários ao pretendido; seu pendor autoritário, que o leva a radicalizar uma medida quanto mais equivocada ela se mostra — é o doido […]

Ainda não tenho claro qual aspecto da personalidade política do prefeito Fernando Haddad, do PT, é mais deletério para a cidade: sua espantosa incompetência, que o faz, até agora, colher sempre resultados contrários ao pretendido; seu pendor autoritário, que o leva a radicalizar uma medida quanto mais equivocada ela se mostra — é o doido que dobra a dose do remédio para diminuir os efeitos colaterais; ou seu espantoso oportunismo, tentando usar dificuldades que são de todos para faturar politicamente.

Há uma onda de incêndios a ônibus na cidade. O crime organizado certamente tem a sua parcela de responsabilidade, mas a causa, entendo, é outra: respira-se um clima de impunidade no país; confunde-se banditismo com reivindicação; delinquência com militância. A Secretaria de Segurança Pública do Estado tem de dar uma resposta? Certamente.

E não só nesse caso. Querem outro exemplo? Desde a campanha eleitoral, Haddad prometeu entregar parte do programa de habitação da cidade a movimentos de sem-teto, que ajudaram a fazer a sua campanha. Ele venceu e, de fato, divide hoje com entidades de caráter privado, disfarçadas de ONGs, o programa de moradia. Só que elas não estão contentes. Querem mais. E saem por aí obstruindo vias e estradas. A quem cabe manter a ordem pública que Haddad ajudou a depredar? À Secretaria de Segurança. Depois a polícia apanha dos nefelibatas do socialismo rosa-chique da imprensa.

Dou outro exemplo. Haddad criou a Haddadolândia, ex-Cracolândia, uma zona livre para o consumo e o tráfico de drogas. É evidente que isso passa a movimentar os fornecedores, que atuam no próprio local e adjacências. Aumenta a tensão na área de segurança. Chame-se a polícia, que depois leva porrada dos “consumidores recreativos” de maconha…

Nesta quinta, Haddad afirmou que cabe ao estado manter a segurança dos ônibus. É… Mas não dará para botar um policial em cada veículo. Ainda que desse, de pouco adiantaria. A turma ataca em bando. Os ônibus não são escolhidos por acaso: além da visibilidade, parece óbvio que existe algum descontentamento com o sistema.

Alguém na posição de Haddad deveria lamentar o ocorrido, fazer um chamamento à ordem e prometer atuar em parceria com o governo do estado. Mas ele é petista e tem uma natureza. E a natureza do petismo é explorar as misérias humanas, quaisquer que sejam elas.

 

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