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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Os maus motivos que levaram à nomeação de Ideli

Mesmo as coisas mais estúpidas — por exemplo, escolher Ideli Salvatti para a coordenação política — obedecem a um ordenamento teórico. Se a teoria vai dar em boa coisa, aí são outros quinhentos. Por incrível que pareça, a nomeação de Ideli obedece a uma orientação da marquetagem política. Estão dizendo a Dilma Rousseff que ela […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 11h40 - Publicado em 10 jun 2011, 17h17

Mesmo as coisas mais estúpidas — por exemplo, escolher Ideli Salvatti para a coordenação política — obedecem a um ordenamento teórico. Se a teoria vai dar em boa coisa, aí são outros quinhentos.

Por incrível que pareça, a nomeação de Ideli obedece a uma orientação da marquetagem política. Estão dizendo a Dilma Rousseff que ela precisa ter uma identidade; que é preciso deixar claro que ela está no comando; que é necessário distinguir-se do governo Lula, sair da sombra de seu antecessor.

Mulher
Então se faz esta primeira escolha: o comando do país TEM de estar integralmente na mão de mulheres. O leitor poderia parar um pouquinho neste ponto e se indagar: “Mas por que TEM DE ESTAR?” Porque se quer transformar isso num valor em si, independentemente dos resultados, compreendem? Não é esse o espírito do tempo? Não vivemos sob o signo da reparação? As ilegalidades mais flagrantes não estão sendo cometidas em nome da compensação histórica às minorias? Segundo a perspectiva do poder, mulher ainda é minoria.

PT-SP
O segundo impulso que leva à escolha de Ideli — e, nesse particular, a “presidenta” conta com o apoio ressentido até de parte da imprensa — é a suposta mudança de eixo geográfico do poder. Está escondidinho lá no fundo, mas muito presente para os mais atentos: trata-se de uma manifestação anti-São Paulo. Como querem alguns cronistas políticos, especialmente do Rio, as dificuldades do governo Dilma seriam a nacionalização de conflitos regionais, presentes no PT paulista. Pois é… É bom lembrar que, sob a tutela de Lula, a dupla Palocci-Dilma montou o mais paulista de todos os governos da República. Em tempo: Ideli é de São Paulo, mas sua carreira política foi feita em Santa Catarina. Lá vai uma graça: não aceitamos devoluções, hehe… Dilma dá, assim, é inequívoco, um recado para o partido no Estado. É claro que é uma tolice e, diria eu, uma injustiça: visto do ângulo petista, a seção paulista do partido prestou e presta relevantes serviços ao “projeto”.

PMDB
Há um “chega-pra-lá” no PMDB, solenemente ignorado nessa escolha. O partido não tem nada a ver com a crise que colheu Palocci, evidentemente. Foi até mais fiel do que o PT — este, sim, faltou ao então ministro. Mas a presidente ainda não engoliu o resultado da votação do Código Florestal. Dilma demonstra, assim, um temperamento ruim para um governante: não se organizou o suficiente para vencer a batalha na Câmara e, depois, não absorve a derrota, procurando aprender com ela. Ao contrário: pensa em vingança.

Dilma soube ser, sem dúvida, surpreendente. Vamos ver se consegue demonstrar que pode também governar. Está na hora de começar.

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