Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Os danos da delação de Palocci podem ser maiores do que o perigo

A Sergio Moro, ex-ministro disse que banqueiro o procurou para gerir recursos ilegais de R$ 200 milhões. Estaria a serviço de uma alta autoridade do governo

Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, decidiu fazer acordo de delação premiada. Vamos torcer para que o dano que isso vai provocar ao país seja menor do que o perigo. Vamos ver.

No depoimento prestado a Sergio Moro, Palocci afirmou, por exemplo, ter sido procurado, em 2014, por um conhecido banqueiro. Este dizia falar com delegação de uma autoridade do governo para cuidar de “provisões” da ordem de R$ 200 milhões. Segundo o ex-ministro, o interlocutor queria que ele intermediasse um encontro com representantes da Odebrecht para viabilizar os recursos. Palocci teria então indagado se Dilma sabia do que estava em curso. A resposta teria sido negativa.

O petista já havia se oferecido para passar a Sergio Moro, em sigilo, informações de alta sensibilidade:

“Fico à sua disposição hoje e em outros momentos, porque todos os nomes e situações que eu optei por não falar aqui, por sensibilidade da informação, estão à sua disposição o dia que o senhor quiser. Se o senhor estiver com a agenda muito ocupada, à pessoa que o senhor determinar, eu imediatamente apresento todos esses fatos com nomes, endereços, operações realizadas e coisas que vão ser certamente do interesse da Lava Jato…”

O temor dos sensatos é óbvio: que o sistema financeiro também seja tragado pela Lava Jato. Conhecemos como funciona o mercado: quem sabe faz a hora, não espera acontecer. Vale dizer: o menor sinal de uma crise já será “a” crise. E a coisa não se limita aos bancos. Grandes empresários também podem entrar na mira. Vejam o caso da Operação “Bullish”, que investiga eventuais irregularidades na concessão de empréstimos do BNDES. No centro da coisa, está a gigante JBS. E Palocci teria atuando também nesse caso.

Será que o ex-ministro falou a verdade na audiência com Moro? Notem: se falou, então é inocente de todas as acusações que lhe fazem delatores como Marcelo Odebrecht e o casal João Santana-Mônica Moura. Ele contestou o empreiteiro mais de uma vez no depoimento. O que há de estranho nisso?

Se Palocci decidiu falar em sigilo, no ambiente de uma delação premiada, então é possível que vá revelar crimes e criminosos ainda desconhecidos. Mais: será preciso saber qual delator – ou delatores — está mentindo. Ou se mentiu o petista ao falar ao juiz.

Naquele depoimento, Palocci incensou Moro, exaltou a sua severidade, mas também seu espírito de justiça, e disse que esperava ser julgado de acordo com as provas. Bem, não vai precisar de nada disso. Feita a delação premiada, sai da cadeia, pega uns dois ou três aninhos, e fica tudo certo.

Ele acabará, no fim das contas, a exemplo de todo delator, se dando bem.

O crime compensa.

 

Comentários
Deixe um comentário

Olá,

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

  1. Duanny Neves

    Bom dia amigos, o que o Tio Rei está propondo é um exercício de lógica utilitarista. Ele está argumentando que você deve agir de forma a produzir o maior bem-estar para a sociedade.
    A minha opinião é a seguinte: uma delação premiada só deve ser aceita se não contrariar as proposições de Bentham, ou seja, se a delação destruir o benefício da prevenção de novos ilícitos na sociedade ela não deve ocorrer, pois aumenta a sensação de impunidade. Não se trata de apurar ou não outros crimes, trata-se do benefício ao caráter preventivo da punição aplicada diante do papel do agente na trama ilícita.

    Curtir

  2. Trinitymotos Simão Dias Motos

    Um fazendeiro gerava em torno de 3.000 empregos em uma cidade de 6.000 mil abitantes, toda a cidade girava em torno da renda gerada pelo fazendeiro.
    Laticínios,cana, café hotel fazenda .
    Certo dia descobriu que a morte de uma menina de 11 anos, estuprada foi o fazendeiro, ele nao tinha herdeiros próximos, a cidade dependia dele. E aí deixa ele livre gerando os empregos?

    Curtir

  3. Inides Bonelar da Fonseca

    Continuo falando que só se resolve isso com acareações. No momento certo isso precisa ser feito para que a “verdadeira” verdade apareça. Acredito que existam inverdades em muitas dessas delações. Está muito escancarado! Alguns estão mentindo para se safar. Vai ser preciso por cara a cara para elucidação das dúvidas. Quando há muito interesse para delatar, caminhos errados podem estar desviando a atenção e diminuindo a pena de culpados. A Justiça precisa identificar essas espontaneidades.

    Curtir

  4. Luís Fernando Gasparoto

    Sabemos que se o Palocci atirar, o Trabuco que ele tem em mãos, fará um estrago enorme….

    Curtir

  5. Luciano Monteiro

    ReinaldoXXXXXXXXXX na cascuda xucra!

    Curtir

  6. Aldo Monteiro

    Sobre o fazendeiro, julga, condena e prende. Faz-se intervenção nas empresas e elas continuam funcionando .

    Curtir

  7. Eugenio Silva

    A cascata de delações se encerra, quando do topo, Luiz Inácio delatar a esposa morta. Ele só começou a fazer isto…

    Curtir